A ministra das Finanças de Cabo Verde mostrou-se hoje “bastante satisfeita” com o reconhecimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) do bom desempenho da economia cabo-verdiana, sustentando que as metas de curto prazo traçadas “foram todas cumpridas”.
Em declarações aos jornalistas, após um encontro com uma delegação do FMI, Cristina Duarte lembrou que o executivo cabo-verdiano conseguiu nos últimos anos um crescimento económico “sustentado”, bem como consolidar a execução do orçamento, “através de uma gestão rigorosa das despesas públicas”.
Segundo Cristina Duarte, os níveis de solvabilidade do sistema financeiro situaram-se dentro da “razoabilidade” e conseguiu-se também uma “boa performance” nas políticas monetária e cambial.
O director de Divisão do Departamento África do Fundo Monetário Internacional (FMI), o economista gambiano Lamin Leigh, afirmou hoje na Cidade da Praia que o desempenho macroeconómico de Cabo Verde “continua a mostrar-se robusto”, mas avisou que as actuais dificuldades económicas globais “vão impor novos desafios”.
“Este ano, Cabo Verde está preparado para enfrentar a crise, mas tudo dependerá da sua duração. De qualquer forma, estamos com uma boa política, avalizada pelo FMI, e falta agora implementar os estímulos fiscais de procura interna para combater a descida da procura externa”, disse Cristina Duarte.
Segundo a ministra das Finanças cabo-verdiana, a aposta agora centra-se na “credibilização do sistema financeiro” do país e na melhoria da gestão da dívida pública, tendo em conta que o sector empresarial público constitui, disse, “um risco elevado para o orçamento de Estado”.
“Até 31 de Dezembro de 2008, os resultados que apresentámos demonstram que conseguimos lidar com a crise financeira internacional. Mas os efeitos negativos (da recessão) já afectam os investimentos públicos, pelo que vamos aumentar, com o aval do FMI, de 17 milhões de contos (154,1 milhões de euros) para 24 milhões de contos (217,6 milhões de euros) o montante destinado a esse fim”, explicou Cristina Duarte.
A ministra lembrou, porém, que, no último ano, a crise já obrigou o governo a rever em baixa a taxa de crescimento da economia cabo-verdiana, recordando as perspectivas mais optimistas traçadas no início de 2008, que previam um valor entre os 7 e 8 por cento.
Mais tarde, essa projecção desceu para entre 6 e 7 por cento e, já este ano, para entre 5 e 6 por cento.
Sobre um eventual fim dos off-shore em Cabo Verde, Cristina Duarte admitiu que a legislação irá mudar, mas não apontou para quando, limitando-se a indicar que o FMI recomendou a esse respeito “uma análise crítica, um repensar da estratégia e o recentrar de medidas de actuação”.
“Queremos transformar Cabo Verde num espaço financeiro importante. O modelo está a ser estudado. Talvez passe por um sistema financeiro único para residentes e não residentes. Mas é apenas ainda uma ideia”, afirmou.
Fonte: Lusa
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