No comunicado enviado à redacção da Inforpress, o conselho de administração da Cabo Verde Airlines esclarece que o principal motivo que levou a companhia a não incluir Praia e São Vicente nos seus planos de voo, tem a ver com a opção tomada de apostar num modelo de negócio assente numa operação Hub & Spoke, com base na ilha do Sal.

Segundo a mesma fonte, o modelo assente na operação ponto a ponto esgotou-se, tendo demonstrado durante longos anos que não tem sustentabilidade e muito menos potencial para contribuir da melhor forma para o aproveitamento da localização estratégica de Cabo Verde.

A Cabo Verde Airlines fez saber ainda que foi feito um “estudo detalhado” de mercados potenciais, por forma a se definir a rede de rotas e frequências a ser operada pela companhia no âmbito do Hub.

“Efetivamente, e na base do estudo de mercados potenciais, foi definido uma rede que permitisse, numa base de sustentabilidade, garantir a partir do Sal, conectividade com Portugal, França, Itália, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Senegal, Nigéria e Angola”, lê-se no comunicado que ainda diz que “a consolidação do Hub é importante para o futuro da empresa”.

O Cabo Verde Airlines afirma no mesmo comunicado que “tem a plena consciência dos voos realizados actualmente pelas companhias concorrentes para Praia e Mindelo e que usam o Hub dos seus respectivos países para oferecerem mais conexões com Cabo Verde”.

Mantendo sempre o foco no modelo de negócios assente no Hub Aéreo que se encontra, aliás, na sua fase bem inicial da sua implementação, diz a companhia que “não exclui a hipótese de vir a estudar, em sintonia com o parceiro estratégico, a viabilidade de uma operação para servir as duas maiores cidades do país numa base de complementaridade ao hub e sem pôr em causa a essência e os objectivos estratégicos subjacentes ao seu novo modelo de negócios”.

A Cabo Verde Airlines informou ainda no comunicado que a operação actual a partir do aeroporto da Praia é uma operação de recurso, circunscrita ao período de inverno (Nov18-Mar19), que “só está sendo possível devido à suspensão temporária de algumas operações do Hub para permitir à companhia atuar sobre o mercado mais afectado (Itália, França, Brasil) pela disrupção operacional de Julho de 2018”.

Recorde-se que, na semana passada, questionado sobre a possibilidade de a TACV regressar à rota São Vicente-Lisboa, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, considerou que a retoma dos voos internacionais a partir de São Vicente, à semelhança do que já acontece na cidade da Praia, “não é uma decisão administrativa ou política do seu Governo”.

Por seu turno, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente questionou segunda-feira “que milagre fez este novo conselho de administração” da TACV “a ponto de convencer o Governo” de que, “agora sim”, os voos Praia-Lisboa vão ser rentáveis.

É que, para Augusto Neves, em conferência de imprensa, no Mindelo, “todos os cabo-verdianos sabem” que TACV foi sempre uma “empresa-problema e deficitária” e que tem “custado muito” ao Estado e ao povo das ilhas de Cabo Verde.

Já o movimento Sokols 2017 organiza no domingo, 16, uma “marcha de indignação” para exigir a reposição dos voos da TACV para São Vicente e diz esperar que o primeiro-ministro dê uma “resposta célere” que, não havendo, poderá “trazer consequências”.

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