A Inforpress constatou no terreno que em algumas localidades as sementeiras já arrancaram, principalmente com as primeiras chuvas que têm caído nos últimos dias.

Numa ronda efectuada hoje, verificou-se que alguns agricultores estão a limpar o campo e outros até já abriram as covas e estão a aguardar pela queda de chuva para jogarem as sementes à terra.

Entretanto, alguns camponeses abordados disseram que as sementeiras normalmente arrancam em Junho, mas pelo facto de o país ter registado três anos consecutivos de seca, estão com medo de “semear e não colher nada outra vez”.

Henrique Gonçalves, um dos agricultores da ilha, contou à Inforpress que na sua propriedade, o milho está já fase de floração, porque todos os anos faz um teste na sua horta antes da queda das chuvas, ressaltando que este ano a situação “parece melhor do que os anos anteriores”.

“Todos os sinais estão a apontar para um ano agrícola melhor, e a chuva que tem caído nesses dias é mais um sinal de esperança”, disse esperançoso o agricultor.

Do teste realizado na sua horta, garantiu que as plantações de milho estão “mais viçosas” do que no ano anterior, realçando que mesmo a praga da lagarta de cartucho do milho, que “maltratou” as plantações no ano passado, este ano parece “mais leve”.

A maioria dos entrevistados reclama a falta de sementes, que, por sinal, não se encontram na ilha e é necessário trazer da ilha do Fogo, mas que estão a ser vendidas a um preço “muito caro”.

Já Henrique Gonçalves avançou que tinha grande quantidade de sementes, principalmente as de feijão, mas que o seu stock já terminou.

Inclusive, contou que vendeu sementes a diversos agricultores para poderem dar continuidade às espécies, mas que neste momento já não tem mais para venda.

Aliás, condenou a atitude de alguns colegas da faina que sempre “esperam pelas chuvas”, para depois “correrem atrás das sementes”.

“A sementeira deve ser preparada o ano todo. Devemos apostar sempre, principalmente na pecuária, agricultura e pesca”, disse a mesma fonte, justificando que com esta situação que se vive no mundo, devido à pandemia do covid-19, não se pode dar ao luxo de esperar somente pela importação.

Adiantou que tem exortado as pessoas a investirem em algumas pequenas plantações, mesmo perto das suas residências, onde possam regá-las e assim manter a tradição da agricultura e, consequentemente, disponibilidade das sementes.

Os agricultores da ilha revelaram ainda que a expectativa “é grande”, augurando um “bom ano agrícola”.

MC/JMV

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