Esta informação foi avançada à Inforpress, pelo presidente da Associação de Pescadores e Peixeiras da Boa Vista, Olavo Freire, que falava sobre “os problemas” que a comunidade pesqueira da ilha enfrenta, com destaque para a avaria na máquina de gelo e frio do mercado de peixe.

“Sempre os pescadores e peixeiras enfrentam dificuldades em conservar peixe. Em tempos a máquina avariava sempre, e era arranjada. Mas há mais de ano que está parada”, contou aquele presidente, ajuntando que têm recorrido a um privado para compra de gelo.

Conforme análise do líder da associação, actualmente adquirem gelo pelo dobro do preço. É que antes, na unidade de gelo do mercado, compravam um saco de 50 quilos por quinhentos escudos, e agora conseguem obter a mesma quantidade por mil escudos.

Para Olavo Freire, isto traz constrangimentos para a comunidade piscatória, sublinhando que, diminui o lucro da venda, sendo que gastam mais para adquirir gelo para a faina, que nem sempre lhes dá garantias.

Além disso, acrescentou a mesma fonte, querem apresentar ao mercado um pescado “fresco, bem conservado, mais barato e de qualidade”.

Olavo Freire disse ainda que “os governantes visitam a ilha, prometem ajudar a resolver esta situação”, mas, para ele, “as coisas permanecem em banho-maria”.

“Quando regressamos tarde da faina, caso tivermos grande quantidade de peixe temos de procurar pessoas que têm gelo à venda, porque o privado que vende gelo fecha às 19:00”, afirmou o pescador Hercol Almeida, sustentando que se a unidade de frio do mercado estivesse a funcionar, mesmo com custos, conseguia-se conservar o peixe por mais dias.

Entretanto, conforme explicou o pescador, há necessidade de maiores quantidades de gelo para conservar o peixe ainda em alto mar, quando permanecem mais tempo na faina.

Quando o tempo está muito quente, às vezes regressam da pesca e correm o risco de as peixeiras negarem tomar o peixe para venda.” Acabamos por ficar com a mercadoria, e com perda nas despesas e no lucro”, disse outro pescador Ilídio Mendes.

No entender desta fonte que já trabalhou na máquina de frio, além de arranjar é preciso formar pessoas para trabalhar e fazer a manutenção do equipamento, de forma a evitar que este tipo de situação permanece sem resolução por longos períodos.

Já para uma das associadas do APPBV, Diana Santos, os anos passam e a situação dos pescadores e das peixeiras mantém, sem resolução à vista.

“Se tem que arranjar a câmara devem fazê-lo. Os governantes vêm nos visitar, nos dá esperanças, regressaram, e depois não resolvem nada. Isto já não tem nenhuma piada, porque cada vez ficamos mais prejudicados”, asseverou Diana que aponta incertezas na faina, quanto mais, com a compra do gelo a um preço maior.

Esta dificuldade é sentida também pelas peixeiras, que se dizem “cansadas de falar sobre o assunto, sem nenhuma orientação a curto prazo”.

Por esta altura do ano, devido às condições meteorológicas, a comunidade piscatória recebe sempre alertas para não ir à faina, ou não se afastar muito da orla costeira.

O que, para elas, fica ainda “mais difícil” conservar por mais tempo, a “menor quantidade” de peixe que conseguem comprar.

Frisaram que recorrem também, muitas vezes, à compra de “grande quantidade” de bóias de gelo por 100 escudos cada.

As peixeiras anotaram ainda que o lucro da venda diminui, visto que é gasto praticamente na compra de gelo para conservar o peixe do dia seguinte.

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