O Banco Mundial (BM) considera que o actual momento da economia Angola permite um "optimismo cuidado" sob uma "contínua prudência" na condução das políticas macroeconómicas, graças à subida do preço do petróleo nos mercados internacionais.

No relatório mensal de Outubro, assinado pelo economista-chefe do BM em Angola, Ricardo Gazel, o banco assinala que a economia do país melhorou desde o balanço de Setembro, apontando como razão principal a "recuperação do preço do petróleo".

Para isso, aponta Gazel, contribuiu o facto de o preço do girassol, referência para Angola, que, apesar de se manter 30% abaixo dos valores de há um ano e 48% abaixo do pico registado em Julho de 2008, recuperou 68% face a Dezembro de 2008.

"Para os últimos três meses de 2009 o preço médio de referência para Angola deverá ser superior ao preço médio no mesmo período de 2008, ao mesmo tempo que a produção sofreu igualmente um aumento substancial usando como referência os baixos níveis de produção do início do ano, com uma produção diária média de 1 859 milhões de barris", aponta o BM.

Estes números configuram, sublinha ainda Ricardo Gazel, uma subida de 13% em relação ao ponto mais baixo (1 646 milhões de barris/dia) em Fevereiro".

Esta realidade implicou, descreve o economista, o aumento dos dividendos em impostos de 840 milhões de dólares nos primeiros quatro meses do ano, para mil milhões no segundo quadrimestre, até 1,6 mil milhões nos primeiros dois meses do terceiro quadrimestre".

Em síntese, nota o economista-chefe do BM em Angola, os dividendos do petróleo "duplicaram em Agosto e Setembro, comparando com os primeiros três meses do ano, resultando numa ajuda importante à cobrança fiscal do Governo", nomeadamente no que toca à estabilização das reservas externas. ~

"Perante este cenário as reservas externas estabilizaram e até cresceram ligeiramente nos últimos três meses", informa Gazel, alertando, todavia, para o facto de as "avultadas vendas de dólares por parte do Banco Nacional de Angola (com o objectivo de controlar a depreciação do kwanza face ao dólar no mercado paralelo) nas últimas semanas reflectem uma ligeira queda nas reservas internacionais de Outubro". Ricardo Gazel minimiza a situação, descrevendo-a como normal no objectivo de controlar a moeda nacional.

O economista analisa ainda a decisão do Governo em liberalizar o mercado da refinação, distribuição e aprovisionamento de combustíveis, apontando a posição de analistas, que se mostram preocupados com a possibilidade desta medida implicar a intenção do Governo proceder a aumentos nos preços dos combustíveis.

 Mas Gazel entende que a decisão vai implicar uma melhoria significativa na prestação de serviços com a esperada concorrência, nomeadamente com a diminuição das longas filas nas bombas de gasolina e também, no caso de alterações na política de subsídios dos combustíveis, "a competição irá pressionar os preços para baixo, o que não acontece com a actual situação de monopólio" por parte da petrolífera estatal Sonangol.

SAPO CV com Oje

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.