Arlindo de Carvalho, que falava em declarações à Inforpress a propósito do processo das reformas no setor dos jogos sociais a ser implementado pela Cruz Vermelha de Cabo Verde enquanto concessionária dos jogos sociais, afirmou que o sistema funciona há mais de 20 anos e é “um dos mais seguros” que existem em Cabo Verde.

Pelo que, na opinião do responsável da CVCV, não há motivos para o questionamento da transparência do processo, frisando, entretanto, que em termos de estatística relativamente a fraude são raros os casos que, conforme lembrou, foram identificados e foram denunciados à Policia Judiciária que deu o devido seguimento.

“O sistema é aberto ao público, nos domingos qualquer pessoa que queira assistir à extração dos números pode vir assistir e no momento da extração temos a Rádio Nacional a fazer cobertura direta, temos um júri que é chefiado por um membro do conselho executivo da Cruz Vermelha, agora introduzimos o princípio da rotatividade mensalmente, temos um oficial da Polícia Nacional e um representante da Câmara Municipal da Praia, ou seja há toda uma estrutura com reforço de segurança”, sustentou.

Um outro princípio que reforça a segurança, de acordo com Arlindo de Carvalho, é que as apostas são feitas nas agências, afirmando que a matriz original é conferida e introduzida no cofre que é aberto pelos elementos do júri, tendo cada um desses elementos um código, pelo que uma pessoa sozinha não consegue abrir o cofre.

“Todos os sistemas de verificação dos boletins são organizados e todo o pessoal aqui é vigiado por câmaras de segurança e todos os instrumentos que são utilizados durante os trabalhos são controlados, porque uma pessoa que vai verificar os números não sabe qual é a cor do lápis que vai utilizar, porque os apostadores fazem as apostas com caneta e nós aqui fazemos a verificação com lápis isto para poder conferir a diferença entre a matriz e a cópia dos boletins”, elucidou.

Lamentou, por outro lado, o facto de ainda não haver transmissão em direto na Televisão de Cabo Verde, afirmando que, de acordo com o pacote do valor apresentado anteriormente pelo Conselho de Administração da RTC, a Cruz Vermelha não tem condições para cobrir as referidas despesas.

“De acordo com os dados que eu tive, o valor solicitado era muito elevado, cerca de mil contos. É uma proposta comercial que a CVCV analisou, porque a instituição dispõe de 15% dos jogos para suportar toda logística dos jogos a nível nacional e não há condições para isso. Muitas pessoas pensam que a CVCV fica com todo o dinheiro, mas ela fica com apenas 12%, mas é preciso esclarecer que os jogos sociais pertencem ao Estado de Cabo Verde”, afirmou.

Entretanto sublinhou que a Cruz Vermelha e a RTC retomaram as conversações, no que concerne à transmissão em direto dos sorteios que, segundo disse, mostrou toda a abertura à CVCV e interesse de futuramente Cabo Verde vir a ter transmissão em direto na TCV.

CM/ZS