A de Alojamento – A opinião foi unânime quanto à qualidade do alojamento. Aliás, a presidente da Comissão Organizadora dos Jogos Africanos de Praia (COJAP), Filomena Fortes, repetiu-o várias vezes: nem nos Jogos Olímpicos, em que se exige hotéis de três estrelas para acomodação das delegações, houve condições como aquelas que os jogos do Sal ofereceram às comitivas dos 43 países. Durante os dez dias, nunca se ouviu as mais pequenas queixas. Só elogios.

B de Barros (Nicholas) – Entra para a história como o primeiro atleta cabo-verdiano a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Africanos de Praia. Nicholas Barros fê-lo na modalidade de futebol ‘freestyle’ rotinas, em que superou adversários de seis países e colocou a Argélia (prata) e Marrocos (bronze), nos lugares seguintes do pódio. Um artista da bola, que dominou como ninguém nos jogos. E ainda ganhou a medalha de prata, na mesma modalidade, mas no estilo batalha.

C de Calor – Humano e atmosférico. Forte, todos os dias, sobretudo o atmosférico, uma vez que os jogos decorreram sob temperaturas elevadas, mas próprias da época, ao longo dos dez dias. É verdade que ao fim da tarde a tendência era para uma baixa da temperatura, mas ao longo do dia, cuidado!, era “sol de rachar pedras”.

Já o calor humano atingia sempre o ponto alto quando Cabo Verde entrava em competição, com o futebol à cabeça, a modalidade que permitiu bancadas sempre lotadas.

D de Doping – Por se tratar de jogos continentais de “grande responsabilidade”, com disciplinas e modalidades que têm qualificação para os jogos mundiais, como andebol, futebol e vólei, o controlo anti-doping é uma exigência para provas do género, como os jogos do Sal.

O controlo ocorreu em todas as modalidades, vários atletas, sempre nos finais dos jogos, chamados para deixar amostras de urina. A Organização Anti-dopagem de Cabo Verde (ONAD-CV) aproveitou a ocasião para acções de formação e sensibilização sobre “jogo limpo”.

As amostras seguiram para Londres, Inglaterra, e os resultados serão conhecidos posteriormente, pois há um protocolo nesse sentido, mas a expectativa da organização é que não tenha havido doping nos Jogos Africanos de Praia.

E de Estrutura – Aquela que foi montada em três hectares da praia de Santa Maria, o designado parque dos jogos, foi elogiada desde o início, ao ponto de Filomena Fortes considerar os responsáveis por esse trabalho de “verdadeiros heróis dos jogos”.

Aliás, o proprietário da empresa Faísca, César Fortes, numa metáfora para se referir à grandeza da obra, lembrou que a areia foi a única estrutura que a sua empresa não colocou na praia.

Em resumo, espaço vedado, quatro arenas, inúmeras áreas de apoio aos atletas e à organização, como áreas VIP nas bancadas em todas as arenas, restaurantes, posto policial, instalações sanitárias, câmaras de segurança e ecrãs de alta definição. Não faltou nada.

F de Futebol – Uma medalha de ouro, em futebol de praia feminino, esta foi sem dúvida a modalidade que mais galvanizou os adeptos salenses. Com uma particularidade: a selecção feminina alcançou a qualificação automática para o Mundial de San Diego (Califórnia, EUA).

G de Ganhar – Foram dez as medalhas que ficaram em casa e que posicionaram Cabo Verde no terceiro lugar dos países mais medalhados: três de ouro (futebol ‘freestyle’ rotinas, futebol feminino e basket 3×3 em afundanços) duas de prata (andebol feminino e futebol ‘freestyle’ batalha) e cinco de bronze (karaté feminino e por equipas, ténis pares femininos e pares misto e ‘kiteboarding’).

H de Higiene – Para assegurar o saneamento e a limpeza da praia, o COJAP e a Câmara Municipal do Sal contrataram 20 prestadores de serviço, os quais, diariamente, das 08:00 às 20:00, tinha a missão de manter todo o espaço onde decorreu os jogos sempre limpo. As toneladas de plásticos (garrafas e outros utensílios) recolhidos na praia vão ser enviadas para a empresa de azulejos da ilha de Santo Antão. Valeu.

I de Irmandade – A palavra está também relacionada com fraternidade, ou seja, a comunhão e boa relação em que as pessoas desenvolvem sentimentos afectuosos entre si, como se fossem irmãos ou membros de uma mesma família. E foi o que se constatou ao longo desses dias, na aldeia dos jogos e nas arenas, uma sã convivência entre pessoas de 43 nações que desenvolveram relações de confiança mútua.

J de Jogos – Foi em Maio de 2017, em Djibuti, durante a reunião da Associação dos Comités Olímpicos de África (ACNOA) que Cabo Verde ganhou a candidatura para organizar a 1ª edição dos Jogos Africanos de Praia. Já é considerado o maior evento desportivo alguma vez organizado no arquipélago e os números falam por si: 43 países representados, mais de 800 atletas e 11 modalidades.

Como assinalou o ministro do Desporto, Fernando Elísio Freire, a iniciativa contou com “forte engajamento” do Governo na sua materialização e vai ser um “marco decisivo” na consolidação da ideia de transformar Cabo Verde num palco internacional apelativo a grandes eventos desportivos internacionais.

L de Línguas – Uma autêntica Torre de Babel: numa diversidade de línguas, do português ao inglês, passando pelo francês, árabe e espanhol. Mas havia também os dialectos, nada mais do que variantes dentro da mesma língua, mas todos se entenderam e, certamente, terá havido momentos de aprendizagens mútuas.

M de Marrocos – Foi o país que liderou o quadro de medalhas: 16 no total, sendo nove de ouro, três de prata e quatro de bronze.

N de Natação – As provas náuticas, com destaque para a natação em águas abertas, foram aquelas que mais preocupações causaram à organização, devido a exigência de segurança. Mas, no fim, respirou-se de alívio, tudo correu bem e as provas de remo costeiro, natação em águas abertos concluídas, sem incidentes.

O de Organização – Sincronia é a palavra que pode definir a organização dos jogos, no terreno. Ao mesmo tempo que decorriam as competições nas várias arenas, outras já se encontravam em preparação, à mesma hora, sem contar com as cerimónias de abertura e de encerramento e de entrega de medalhas.

P de Público – Em plena época de exames, a juventude salense ficou um pouco à margem dos jogos, a própria organização reconheceu que a data foi má, mas que não havia alternativa. Mesmo assim, muita gente acorreu ao recinto dos jogos, na maioria dos dias gratuita. Foi o futebol de praia que juntou mais espectadores.

R de Remo – Mais uma novidade dos jogos, pois sequer a modalidade é praticada em Cabo Verde. Mas as duas duplas cabo-verdianas agarraram a oportunidade e prometeram continuar a prática, até porque o país passa a figurar no ‘ranking’ da modalidade.

S de Sal – Pode rimar com hospitalidade. Além da beleza natural, sobretudo a exuberância das praias, está acostumada a receber milhares de turistas todos os anos. Ilha ideal para receber eventos do género.

T de Teqball – A maior novidade dos jogos, a designada modalidade da moda chegou aos jogos para exibição e promoção e juntou figuras do futebol como Douglas Costa e Natalia Guitler (Brasil), Simão Sabrosa (Portugal) e Nando e Bubista (Cabo Verde).

É praticada numa mesa parecida com as de pingue-pongue e uma bola de futebol, mas com a diferença de a mesa ser côncava nas extremidades, sendo permitidos o máximo de três toques até enviar a bola para o outro lado da mesa.

U de Uganda – Faz parte de um grupo de países que trouxeram apenas dois atletas para os jogos. Os outros são Tânzania, Malawi e Madagáscar.

V de Voluntários – A maioria de Cabo Verde, mas também vieram de países como Gana, Brasil, Argélia e Suíça. Trabalharam nas mais variadas áreas de actuação e organização. São apaixonados pelo desporto e, por isso, investiram o seu tempo a ajudar, mas também a adquirir conhecimento e experiência.

Z de Zénite – O apogeu, fora das arenas, para quem acompanhou os jogos, ocorreu na sessão de abertura, cuja vertente cultural, coordenada pelo coreografo Mano Preto, surpreendeu e foi alvo de elogios. A cultura cabo-verdiana no seu esplendor foi a marca de abertura dos Jogos Africanos de Praia.

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