Desde junho está disponível nas bancas nacionais uma revista de desportos náuticos produzida em Cabo Verde e por cabo-verdianos – a Blue Wax Wave Verdean Magazine. A publicação faz parte de um projeto maior que foi apresentado ao SAPO pelo mentor Bob Lima.

Enquandrada no movimento “Maramor”, a revista Blue Wax foi lançada a 15 de junho no país. O lançamento da primeira edição, gratuita, deu-se na ilha do Sal, seguiu-se Santiago (Praia e Tarrafal) e depois a publicação deve ser apresentada em S. Vicente e Santo Antão.

A ideia de ter uma revista de desportos náuticos nacional surgiu há largos anos, segundo Bob Lima, da produtora audiovisual mindelense Dze que é proprietária da publicação no entanto, a materialização deste sonho começou a ganhar forma em 2018, primeiramente com o festival de surf Blue Wax levado a cabo em setembro na praia de Tupim, em S. Vicente.

“O festival de surf não é apenas o surf. Usamos o desporto náutico para passar bons conceitos, o que chamamos de manual de sobrevivência:  natação, primeiros socorros e salvamento aquático; algo que deixa falta a muitos cabo-verdianos, mesmo sendo nós um povo cercado pelo mar”.

A necessidade de colmatar uma lacuna que existe neste país insular, a vigilância das praias é residual, faz com que este movimento pretenda formar e informar as pessoas.

E como forma de alcançar o maior número de pessoas, o projeto Blue Wax inclui uma vertente online, quer nas redes sociais (já disponíveis) — Facebook e Instragram — quer um site que se encontra em construção, mas que deve ser lançado ainda neste mês de julho, e futuramente um programa na televisão (Blue Wax TV), e ainda uma vertente de premiação com os Blue Wax Awards.

O projeto surge dentro do movimento “Maramor”que quer estimular os cabo-verdianos a perder o medo e a ganhar amor ao mar . “Há muitos cabo-verdianos que vivem de costas para o mar quando poderiam ver o mar como um aliado”, explica Bob Lima.

Nesta primeira edição a publicação bilingue (português e inglês) contou com o apoio institucional do ministério dos Desportos, mas o objetivo é que a revista seja autossustentável. “Acreditamos que este projeto pode fazer de Cabo Verde um lugar melhor”, afirma o mentor da iniciativa.

Produzida e impressa em Cabo Verde, a revista vai ter periodicidade trimestral e a ambição é que a Blue Wax esteja disponível em todas as ilhas e ainda em feiras internacionais.

Um novo número da Blue Wax que já está a ser desenhado pela equipa editorial e deve estar disponível a partir de setembro.

Site Blue Wax

Nova edição do festival Blue Wax acontece em julho

Para finais de julho, Bob Lima adianta que está programada mais uma edição do festival Blue Wax, no local de sempre – Tupim. O evento inclui outras vertentes para além da competição de surf: artes plásticas, música ao vivo onde todos estão convidados a participar, aulas para crianças e troca de experiências com convidados com atividades ligadas ao mar.

Segundo Bob Lima, existe a possibilidade de fazer este festival noutras ilhas. “A ideia não é deixar tudo centralizado em São Vicente”, explica e dá o exemplo da revista que conta com  colaborações de quase todas as ilhas.

Encarar o mar de forma mais séria

Na entrevista ao campeão mundial Mito Monteiro (disponível na primeira edição da Blue Wax), Bob Lima questionou o cabo-verdiano sobre “o que Santa Maria tinha de especial por já ter “produzido” quatro campeões mundiais de kitesurf” e o segredo, ao contrário do que se possa crer, não está tanto no mar.

“É a questão do vento. O Sal é uma ilha plana onde o vento entra de um lado e sai do outro, se não funciona de um lado da ilha, funciona noutra costa. Há sempre boas condições”.

Apesar de salientar que a ilha do Sal é a que está mais avançada a nível de desportos náuticos, há também outras ilhas como a Boa Vista, onde o número de praticantes tem vindo a crescer.

De modo a inspirar o investimento na área dos desportos náuticos, o festival Blue Wax deste ano conta com participação da mentora do Sal Surf Camp & School e do atual proprietário do Boavista Wind Club (fundado pelo francês François Guy na década de 1990).

“Queremos dar voz e mostrar que o caso deles é um caso de sucesso para que mais pessoas vejam o mar de forma séria, algo que possa dar um rendimento. Para que deixemos de ver o mar apenas como prazer e bem-estar pessoal. É possível ter isso e ter rendimento”.

O mentor salienta que vários das pessoas entrevistadas para a primeira edição da Blue Wax salientaram esse aspecto de como “a prática desportiva movimenta a economia local”.

Bob Lima refere ainda o potencial de Santo Antão enquanto local para a prática de desportos náuticos, ilha onde inclusive a equipa do Blue Wax festival chegou doar pranchas de surf em 2018, doação essa que já está a dar frutos, segundo o promotor.

A primeira edição da Blue Wax contou também com fotografias de ‘spots’ (locais) com ‘ondas perfeitas’ e um debate sobre o tema, com opiniões díspares, sobre a divulgação ou não desses ‘spots’ ideias para a prática de surf.

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