Em entrevista à Lusa, a propósito dos cinco anos do início da última erupção no Fogo, que entre 23 de novembro de 2014 e 07 de fevereiro de 2015 destruiu a aldeia de Chã das Caldeiras, o vulcanólogo Bruno Faria garantiu que desde então não foram registados sinais de alarme na zona.

“Até agora tem estado tudo dentro do normal. A situação normalizou-se pouco depois da erupção. Bom, sabe, um vulcão ativo, de vez em quando, tem as suas convulsões, mas nada de preocupante desde fevereiro de 2015”, afirmou.

Nas instalações do Instituto de Meteorologia e Geofísica (INMG) no Mindelo, ilha de São Vicente, Bruno Faria recebe em tempo real a informação medida pelas sete estações sismométricas instaladas no Fogo, que recolhem dados sobre a atividade sísmica e de deformação do solo.

“Nos últimos tempos, posso dizer que está no nível fundamental. Quer dizer que está num estado em que não há nenhum sinal de uma eventual erupção. Não há motivo de preocupação, com os dados que temos”, insiste.

Com medições feitas pelo INMG em tempo real em todas as ilhas do arquipélago, que registam 30 a 40 sismos por dia – de baixa intensidade, que não são sentidos e apenas registados -, Bruno Faria explica que a preocupação está centrada em três: Santo Antão, Fogo e a vizinha ilha da Brava.

O também imponente vulcão da Brava, ilha a 30 minutos de barco do Fogo, chegou a estar “em vias de entrar em erupção” em agosto de 2016. Foi o último “susto” que se viveu, a este nível, em Cabo Verde.

“Isso acontece nos vulcões. Há sinais preocupantes e depois param”, aponta, afirmando que também para a Brava não há qualquer preocupação imediata.

“Mas a longo tempo não se sabe”, admite, enquanto explica que tudo se resume a analisar os sinais, nomeadamente de atividade sísmica permanente.

“É quando temos sismos de fraca magnitude e que se repetem durante horas. Quando isso acontece é mau sinal. Temos atividade magmática, foi o que aconteceu na Brava em 2016, mas depois parou”, recordou ainda.

Sobre a erupção de 2014 no Fogo, assume que ao nível das consequências foi mais grave, até porque cobriu de lava toda a aldeia de Chã das Caldeiras, a uma altitude de 1.800 a 2.000 metros.

“Antes não havia nada. As erupções anteriores só estavam a destruir as lavas anteriores, o que não nos faz grande diferença. Em 2014 já havia muita gente lá, em Chã das Caldeiras”, recorda o especialista do INMG, que foi o rosto no acompanhamento da última erupção.

Segundo Bruno Faria, o material expelido nos 77 dias que durou a erupção iniciada há precisamente cinco anos foi semelhante à de 1995. Já a de 1951 foi diferente e desse ponto de vista mais grave, tendo em conta também a extensão das crateras que se formaram.

“Foi muito pior. Havia quatro crateras ativas, a norte e sul. Nesta erupção, de 2014, foi só uma. Agora, os estragos desta última erupção foram de longe superiores, porque, entretanto, Chã das Caldeiras foi povoada de uma forma desenfreada”, explica.

Os efeitos da erupção e da quantidade de material expelido ao longo de quase três meses também se notam no perfil da aldeia de Chã das Caldeiras. Dependendo do local, a aldeia está entre três a 30 metros mais alta, reconstruída em muitas zonas sob um manto de lava solidificada que cobriu casas e campos de cultivo.

“A orografia que vemos hoje é totalmente diferente do que tínhamos ali há cinco anos”, concluiu.

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