O tema da viagem papal, ‘peregrino de esperança, paz e reconciliação’, “é especialmente relevante para Moçambique, pois é a primeira semana da campanha oficial para as sextas eleições nacionais de Moçambique em 15 de outubro”, escreve, num texto publicado na página eletrónica do Instituto Real de Relações Internacionais Chatham House.

A visita coincide também com o aniversário de um mês dos Acordos de Paz e Reconciliação de Maputo entre o governo e a oposição armada, Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), e o quinto aniversário do acordo anterior em 2014, acrescentou.

Embora admita ser invulgar um Papa aceitar uma visita a um país logo após um acordo de paz e no período que antecede eleições nacionais, vinca que a Igreja Católica "desempenhou um papel fundamental na promoção da paz em Moçambique ao longo dos anos".

A visita de João Paulo II ao país em 1988 ainda durante a guerra civil semeou "algumas das sementes do processo de paz de Roma" e a Igreja promoveu ativamente negociações e pactos entre Renamo e Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Vines acredita ainda que o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, poderá beneficiar desta visita, culminando um ano em que conseguiu fechar alguns contratos de investimento estrangeiro e concluir o acordo de paz.

"Ele está a tentar a reeleição para o segundo e último mandato e uma visita papal deve ajudar a ganhar alguns votos", disse.

O Papa Francisco cumpre hoje o primeiro de dois dias da visita a Moçambique, no âmbito de um périplo por África, que o levará também a Madagáscar e às ilhas Maurícias.

Francisco é o segundo chefe máximo da Igreja Católica a deslocar-se a Moçambique, depois de João Paulo II ter visitado o país em 1988.

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