Joaquina Almeida, secretária-geral das UNTC-CS fez esta acusação em conferência de imprensa realizada hoje na Cidade da Praia com o fito de dar a conhecer o posicionamento deste sindicato relativamente à situação atual dos trabalhadores dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) face às tomadas de posição da administração da companhia.

“Os TACV têm estado a criar as próprias regras para aplicar, dificultando sobremaneira a vida dos trabalhadores e de seus familiares. Os TACV estão a agir à margem da lei”, disse, sublinhando que “os sindicatos não foram envolvidos no processo, de modo a poderem garantir direitos, transparência, rigor, isenção e acima de tudo, a tranquilidade dos trabalhadores”.

Segundo a sindicalista, relativamente às indeminizações, os TACV “não vêm respeitando” o estipulado no Código Laboral no que concerne ao processo de despedimento e, por conveniência, têm recorrido à figura do despedimento coletivo, ignorando e lesando os trabalhadores nos seus direitos”.

Joaquina Almeida explicou que o artigo 221º do Código Laboral, relativamente ao processo de despedimento nos números 1 e 2, respetivamente, diz que “o empregador que tencione proceder a um despedimento coletivo, deve comunicar essa intensão, por escrito, aos sindicatos que representam os trabalhadores”, mas que nada disso tem sido feito.

A sindicalista afirmou também que os trabalhadores têm sofrido uma espécie de “mobbing” (violência; assédio moral), face ao “total abandono, silêncio e pressão” a que foram sujeitos pela administração dos TACV que tem utilizado a estratégia “ditatorial, de intimidação”, o que tem resultando em “desequilíbrio psicológico”, em vez de chamar os trabalhadores ou seus representantes para dialogar e negociar.

“Por outro lado, há repercussões económicas, desestruturação familiar, entre outros danos causados pela mobilidade repentina de uma ilha para a outra, do fecho de agências, nomeadamente a de São Vicente e Santo Antão, sem aviso prévio”, contou, sublinhando que essa realidade demonstra alguma “superficialidade e ligeireza” no tratamento de questões importantes como a vida de centenas, quiçá milhares de pessoas.

Neste sentido, a UNTC-CS, enquanto parceira social, exigiu que o Governo chame e envolva os sindicatos nesse processo a “bem da tranquilidade e da paz social”, assim como a reabertura do processo de pré-reforma, a resolução dos pendentes, bem como o diálogo para a negociação de rescisão por acordo mútuo.

Presenciaram esta conferência de imprensa cerca de duas dezenas de trabalhadores da companhia aérea nacional que, conforme relatou Joaquina Almeida, têm sofrido uma “grande instabilidade emocional”, caracterizada por uma “ansiedade generalizada, medo, incerteza no futuro e insegurança”.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.