Na sua conta na rede social Twitter, a polícia municipal da capital catalã avançou que a concentração deste ano teve “cerca de um milhão” de pessoas, o que demonstra um poder de mobilização idêntico ao de 2017.

Um ano depois da tentativa frustrada de ganhar a independência de Espanha e numa altura em que os seus principais dirigentes estão na prisão ou no exílio, o movimento separatista consegue assim provar que continua a mobilizar uma parte importante dos catalães.

As comemorações de “A Diada” começaram precisamente às 17:14 (16:14 em Lisboa) numa alusão à tomada de Barcelona em 11 de setembro de 1714 pelas tropas do rei Felipe V, que suprimiu a autonomia da região.

Os manifestantes empunhavam milhares de bandeiras separatistas e gritaram pela “independência” da região na conhecida avenida Diagonal de Barcelona.

A coreografia realizada pela influente associação cívica separatista Assembleia Nacional Catalã (ANC) mostrou um muro a cair, o que simbolizou os obstáculos que os catalães têm de ultrapassar para conseguir chegar à independência.

Por seu lado, as forças apoiantes da unidade de Espanha, que não estiveram presentes na concentração, criticaram que o Dia da Catalunha fosse aproveitado, mais uma vez, pelos independentistas e tenha deixado de ser um dia festivo de todos os catalães.

“Diada pela República” foi o tema da manifestação, que é utilizada anualmente para defender a causa da independência com imagens de uma concentração ordeira e de grandes dimensões que passam em todas as televisões do mundo.

Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo regional sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados no Quebec (Canadá) ou na Escócia (Reino Unido).

A Constituição de Espanha apenas permite uma consulta eleitoral que ponha em causa a unidade do país se esta for realizada a nível nacional.

O processo de independência da Catalunha foi interrompido em 27 de outubro de 2017, quando o Governo central espanhol decidiu intervir na Comunidade Autónoma na sequência da realização de um referendo de autodeterminação organizado pelo executivo regional independentista em 01 de outubro do mesmo ano que foi considerado ilegal.

As eleições regionais, que se realizaram a 21 de dezembro último, voltaram a ser ganhas pelos partidos separatistas.

Nove dirigentes independentistas estão presos à espera de julgamento por delitos de rebelião, sedição e/ou peculato pelo seu envolvimento na tentativa separatista falhada.

Os independentistas consideram que os detidos em prisões espanholas pelo seu envolvimento na tentativa de autodeterminação são “presos políticos”.

O principal líder independentista, o ex-presidente da Generalitat Carles Puigdemont, vive exilado na Bélgica, depois de a Justiça espanhola não ter conseguido a sua extradição da Alemanha, para ser julgado por crime de rebelião.

O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, uma dimensão de um terço da área de Portugal, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas.

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