O futuro primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, quer usar a sua experiência de gestor e de autarca para dar confiança à economia do país, aplicando no país o mesmo modelo de governação da capital.

Líder do Movimento para a Democracia (MpD), que hoje ganhou as legislativas com maioria absoluta, afirmou, em entrevista recente à Lusa, que “governar só por governar, para manter o poder, não dá resultados”, pelo que a proposta é qualificar a gestão do país, apostando na despartidarização e na qualificação da administração pública.

“Se tiver bons gestores, bons governantes, boa administração, gere bem a educação, a saúde, os transportes, a regulação, cria confiança na economia”, disse José Ulisses de Pina Correia e Silva, nascido a 04 de junho de 1962 na Praia.

Casado e pai de dois filhos, estudou no histórico Liceu Domingos Ramos da Praia e é licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, em 1988.

Depois de licenciado, Ulisses Correia e Silva trabalhou no setor bancário, tendo chegado a diretor do Departamento de Administração do Banco de Cabo Verde.

No setor privado, o novo primeiro-ministro foi também professor na Universidade Jean Piaget entre 2002 e 2007, lecionando disciplinas de Gestão Orçamental, Estratégia Empresarial e Economia de Empresa.

Em 1995, chegou ao governo, tendo sido secretário de Estado e ministro das Finanças, tendo sido sob a sua tutela que o valor escudo cabo-verdiano passou a estar indexado ao euro.

Depois da vitória do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), Ulisses Correia e Silva foi eleito deputado, tendo chegado a líder parlamentar do maior partido da oposição, entre 2006 e 2008.

Nesse ano, candidatou-se, com sucesso, a presidente da Câmara da capital, com o ‘slogan’ “Praia tem solução”.

Em 2013, ganhou a liderança do MpD e deixou agora a maior autarquia do país para conquistar o governo nacional.

Em entrevista à Lusa na pré-campanha eleitoral, o líder do MpD prometeu despartidarizar a administração pública, promovendo a meritocracia.

“O sistema está montado para um partido se sobrepor ao Estado. É uma evidência. Não são as pessoas. O problema não está no povo, está nas lideranças”, afirmou.

Para Ulisses Correia e Silva, os motores do crescimento são uma justiça célere, uma Administração Pública eficaz e eficiente, regulação competente e bom sistema de segurança e educação.

“O motor do crescimento e do desenvolvimento não são as infraestruturas, ao contrário daquilo que este Governo pensa. As infraestruturas são apenas um instrumento”, disse.

Quanto à relação com Portugal, Ulisses Correia da Silva quer “descomplexar, em 100 por cento, essas relações. A “nova geração tem que ser descomplexada relativamente a estes problemas entre aquele que colonizou e aquele que foi colonizado. Isto é História, é passado, registado, mas não deve ser objeto de combates”.

Portugal, disse o novo primeiro-ministro ainda em campanha, é “a porta de entrada” na União Europeia, uma instituição onde Cabo Verde quer “ter um papel também mais visível”.

Lusa

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