António Monteiro fez esta intervenção em conferência de imprensa em que reagia às declarações do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, quando este avançou que a retoma dos voos internacionais a partir de São Vicente “está fora da alçada administrativa ou política” do Governo.

“A UCID estranha a forma como o primeiro-ministro anunciou ontem a indisponibilidade política para junto da companhia aérea TACV, em realizar os voos para São Vicente. A ilha, após 2017, em que os voos foram suspensos, infelizmente tem estado sofrer de forma muito acentuada, em termos económicos”, observou, declarando que operadores turísticos estão a “perder a dinâmica” que ser quer para o negócio.

Por outro lado, referiu que os operadores turísticos de São Vicente estão “completamente alarmados”, uma vez que a esta altura do ano os  “hotéis e pensões estão sem reserva”, quer para o fim de ano, quer para o Carnaval, “diminuído assim,  a economia da ilha”.

Segundo o responsável, os dados do ano passado mostram que a TACV acumula “um deficit de mais de 14, 7 milhões de contos”, que “será pago por todos os cabo-verdianos”, e questionou a razão de o  Governo estar a injetar “montantes avultados” na companhia, “aumentando ainda mais a dívida pública”.

“Ficamos desorientados com a intervenção do primeiro-ministro, visto que a UCID, desde 2017, tem vindo reiteradamente a exigir a abertura dos voos e com a promessa constante por parte do Governo, de  que iriam retomar a rota”, precisou.

Desta forma, pediu ao ministro dos Transportes, José Gonçalves, e ao primeiro-ministro, para que “rapidamente” deem instruções políticas para que se realizem os voos, “evitando consequências maiores”, nomeadamente manifestações da população na rua.

“Temos experiência, deste mundo fora, de que quando o Governo não atua, o povo intervém, com consequências gravosas para o pais e para a economia”, alertou.

Assim, revelou que espera “maior sensibilidade” por parte do Palácio da Várzea relativamente às ilhas com condições para fazer as ligações aéreas internacionais, permitindo “maior tranquilidade” aos operadores económicos.