O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) considera que hoje, 39 anos após a sua fundação, em 1978, na diáspora, dirige um partido que ainda “muito tem a dar” à sociedade cabo-verdiana.

Reconhecendo, embora, que celebra mais um ano de existência sob o signo de uma UCID ainda “sem a possibilidade” de influenciar a governação do país e de pôr na prática o seu desígnio, António Monteiro, em entrevista à Inforpress, concorda que falta capacidades em recursos humanos e financeiros para “preparar o futuro e completar os próximos 40 anos” com uma UCID “mais capaz e mais forte”.

Justificando o “tal desígnio” que a UCID quer pôr na prática, Monteiro sublinha que ele passa por um Cabo Verde com “mais justiça social”, com um nível de desenvolvimento económico maior e, acima de tudo, perspetiva um país onde as pessoas sejam vistas, não pela coloração política que defendem, mas pela sua postura e capacidade.

Fiel à ideologia democrática-cristã que o partido adotou desde o dia 13 de maio de 1978, e que vê o cidadão como um “ser superior” que “não pode ser beliscado”, António Monteiro afirma que o partido tem cumprido a sua missão.

“Apesar de estarmos representados no Parlamento por apenas três deputados, entendemos, sem vaidade, que a UCID é o partido, a nível político, que tem demonstrado uma capacidade acima da média”, pontifica, com um “posicionamento muito responsável”, ajunta, e que “coloca sempre” os interesses de Cabo Verde e dos cidadãos em primeiro lugar.

Sobre o momento atual do partido, lembra que a UCID tem estado a crescer “de forma sólida” no “aumento do eleitorado”, pois, o partido após eleição tem crescido em média 50 por cento, crescimento, no entanto, que não dá tranquilidade ao seu presidente por considerar que, apesar do “esforço gigantesco” feito, tanto pela direção como pelos militantes, a UCID não tem sabido “tocar no âmago das coisas” para que o eleitor tenha um crédito muito maior no partido.

De “uma vez por todas” proclama que a UCID é um partido nacional, e vai contra as vozes que rotulam o seu o partido de regional só porque os resultados não aparecem. “A UCID continua igual a si mesma, um partido nacional que desde 1996 concorre em todas as eleições, embora os resultados não tenham sido até agora aqueles que gostaríamos”, sublinha António Monteiro, lembrando que o eleitorado é que decide, e que não tem dado espaço e nem permitido que a UCID entre em disputa direta com os dois partidos do arco do poder (MpD e PAICV).

“A UCID é um partido nacional e que tem tido uma postura muito sábia, politicamente correta e que deveria ser seguida por outros partidos”, concretiza.

O problema, sustenta, é que o partido ainda não conseguiu chegar junto da população cabo-verdiana e mostrar de “forma genérica” que tem as soluções possíveis para o país, pois as pessoas, acrescenta, habituaram-se nos últimos 25 anos de pluripartidarismo com dois partidos (MpD e PAICV), hábito que não tem dado à UCID uma oportunidade, independentemente da perfomance política obtida ao longo seu percurso.

“Penso que é culpa nossa, deveremos trabalhar um pouco mais e de forma científica, procurar as fraquezas que nos afligem e ultrapassá-las, dando ao partido uma outra dimensão”, perspetiva o líder dos democratas cristãos.

Para o futuro, a aposta, segundo António Monteiro, passa pela formação da juventude partidária, mas com um trabalho “mais inteligente e científico”, para que o partido possa vir a ganhar “um esteio” e, a partir daí, projetar um “futuro melhor” e trabalhar para “ganhar raiz e vincar” na sociedade.

Por este programa de formação da juventude do partido, que já vai entrar no segundo ano, explica, nas áreas de línguas (inglesa, italiano e espanhol), tecnologias de informação e comunicação e atendimento público, passaram já cerca de 800 jovens.

“Claro que não é vocação do partido em si ter essa valência, mas entendemos que a formação que ministramos ajuda os jovens a ter um maior conhecimento nas diversas áreas e estarem preparados para enfrentar com outro gabarito o mercado de trabalho”, sintetiza António Monteiro.

Para marcar a passagem do seu 39º aniversário, a UCID desencadeou nos últimos dias um ciclo de palestras que objetivou uma reflexão sobre a democracia, a cidadania e o presente e o futuro do próprio partido. Hoje realiza a reunião do Conselho Nacional da qual deve sair a data do 17º Congresso, a realizar-se ainda este ano na ilha de São Vicente.

A UCID foi criada a 13 de maio de 1978 por um grupo de cabo-verdianos na diáspora, constituindo-se, à época, o único movimento de oposição ao partido único, o PAIGC.

Atualmente, é representado no Parlamento por três deputados, todos eleitos nas listas do partido pelo círculo eleitoral de São Vicente, ilha onde a UCID é a segunda força na Assembleia Municipal, com seis deputados, contra 11 do MpD, que lidera a câmara, e quatro do PAICV.

SAPO c/ Inforpress