A Inforpress percorreu várias localidades da ilha, algumas que se dedicam à pesca, outras à pecuária, outras um pouco de tudo, mas a avaliação “é divergente”.

Na localidade de Lomba Tantum, tanto a associação local como alguns moradores, fazem uma avaliação positiva, quando se trata de investimentos a nível de arruamentos que, conforme realçam, ainda está a decorrer, criando assim alguns postos de trabalho nesta localidade que depende da pesca.

Neste quesito, adiantaram ainda que de acordo com o projecto e pelo que têm conhecimento, caso as obras prometidas forem levadas a cabo, esta localidade sofrerá uma enorme transformação, principalmente com a execução do projecto impacto Brava Fish, do programa 20/30.

Entretanto, nesta mesma localidade, tanto jovens como pescadores dizem se sentir  “abandonados à mercê da sorte”, quando se trata de apoios aos pescadores, aliás, esta é uma reivindicação dos “homens do mar” não só de Lomba, mas de Furna e Fajã D´Água, que se consideram uma classe “esquecida” pelo Governo, porque não possuem nenhum apoio e quase nunca, são chamados para participar em formações ou reuniões como acontece em outras localidades piscatórias.

“Na Brava os pescadores vivem daquilo que pescam, adquirem materiais com o pouco que ganham, porque se for para depender do Governo em termos de apoios, estaríamos todos de mãos cruzados, vendo as nossas famílias passando por dificuldades”, desabafou um grupo de pescadores de Lomba Tantum.

Já os jovens, “clamam” por melhorias nas redes de telecomunicações, uma antena que lhes permita terem acesso à televisão e rádio pública e pelo menos uma placa desportiva que beneficie esta comunidade, pois, conforme realçam, “aqui na Lomba ficamos de lombo em lombo, porque não há nada que possamos fazer para nos distrairmos”, considerou um jovem que não quis se identificar.

Entretanto, outros jovens da Vila de Nova Sintra, alguns se identificaram, outros nem por isso, conforme alegaram, por medo de serem “prejudicados”.

Para os que fazem um balanço positivo destes três anos de governação, elencaram um conjunto de “ganhos visíveis” na ilha, como o aumento de número de viaturas que permitem maior mobilidade para as instituições descentralizadas do Estado na ilha, o “reforço” da política de desconcentração de recursos para o município, o que tem reflectido em várias obras municipais financiadas pelos Fundos do Turismo, do Ambiente, Rodoviário e do PRRA do MIOTH, entre outros.

O projecto de dessalinização que vai ser instalado na localidade de Furna, mereceu um certo reconhecimento por parte da população, assim como a colocação de alguns equipamentos na área de saúde e um aumento das consultas de especialidades na ilha, mesmo que seja uma vez por mês.

Em relação aos jovens, houve um certo destaque para o aumento de formações a nível técnico que têm sido disponibilizados aos bravenses, através do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e alguns têm tido oportunidade de se integrarem no mercado de trabalho através dos Kits de auto-emprego disponibilizados por algumas entidades.

Em termos de infraestruturas, foram destacados a conclusão das obras de ampliação da Escola Secundária Eugénio Tavares, melhorias e intervenções nas estradas, processo de andamento para a reabilitação da estrada Vila de Nova Sintra – Nossa Senhora do Monte.

Entretanto, para outros, além de estarem cientes da realização do conjunto de trabalhos já elencados acima, dizem que “poderia ser melhor, porque foram muitas e muitas promessas na altura da campanha”.

Alguns jovens salientaram que perante as promessas feitas na altura da campanha, “até que a nível estrutural se possa estar a ser feito alguma coisa”, mas na vida quotidiana, o povo ainda “não as sentiu” em todos os sectores.

Este mesmo grupo, em jeito de “lembrete”, destacou que muitas estradas estão sendo construídas, vários caminhos reabilitados, “mas o Governo está a esquecer-se de melhores condições nos serviços de saúde, melhores condições de transporte, políticas para manterem os quadros na ilha e opções e oportunidade para a camada jovem, assim como são atribuídas nas outras ilhas”, enfatiza.

Entretanto, face aos dois anos que ainda restam de governação, a população pede que o Governo actue da “melhor forma”, cumprindo com o resto das promessas.

Garantem que, por enquanto, “dando um voto de confiança”, principalmente a nível macroeconómico, aguardando que as mudanças preconizadas, possam ter reflexos na vida de todos os cabo-verdianos e dos bravenses em particular.

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