Segundo declarações do presidente do Sindicato de Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (SITTHUR), Carlos Lopes, à comunicação social, o acordo alcançado levou ao cancelamento da manifestação que os trabalhadores tinham agendada para hoje à tarde na cidade da Praia.

Na origem da convocatória da manifestação, está o descontentamento dos trabalhadores com o que consideram "falta de diálogo" do conselho de administração da TACV na condução das negociações no âmbito do processo de reestruturação da empresa que deverá implicar a saída de pelo menos duas centenas de trabalhadores.

Condições de acesso à pré-reforma, valor das indemnizações por rescisões por mútuo acordo, transferência de trabalhadores para a ilha do Sal, onde desde fevereiro funciona a sede da empresa, são algumas das questões sobre as quais empresa e trabalhadores ainda não chegaram a acordo.

"Há muitas questões ainda pendentes e aceitamos abrir um novo quadro de diálogo e negociação e fixar um prazo máximo até 30 de março para a conclusão das discussões", disse Carlos Lopes, citado pela agência de notícias Inforpress.

A decisão saiu de uma reunião realizada quarta-feira à noite na qual participaram os ministros das Finanças, Olavo Correia, e Turismo e Transportes, José Gonçalves, que partilham a tutela da empresa, representantes da administração e dos trabalhadores e sindicato.

Durante o encontro ficou acordado, segundo Carlos Lopes, que as negociações serão acompanhadas pelo secretário de Estado das Finanças, Gilberto Barros.

Carlos Lopes adiantou que, durante a reunião, houve um "debate exaustivo" de todas as questões pendentes e que ainda hoje irá apresentar à administração da TACV uma contraproposta dos trabalhadores para negociações relativas à indemnização para casos de despedimento por mútuo acordo.

A administração da empresa propõe o pagamento de 25 dias por cada ano de serviço, proposta que sindicato e trabalhadores consideram "irrisória, injusta e sem base legal", sendo, por isso, "inaceitável".

A TACV está no processo de reestruturação para privatização, tendo saído dos voos domésticos, mudado a sua base para ilha do Sal e encerrado as delegações nas ilhas de São Vicente e Santo Antão.

O processo de reestruturação da empresa está a ser conduzido pela Icelandair, que deverá ser o parceiro para a privatização de 51% do capital da empresa.

Desde o início da semana, o Governo vinha alertando para “os riscos" de o processo de privatização poder falhar, considerando que a realização de uma manifestação de trabalhadores “seria infeliz" e representaria "um problema enorme".

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