“A Fretilin não tem pressa nenhuma de ir para o Governo, muito menos durante dois anos. Que isso fique claro”, disse Mari Alkatiri à Lusa.

“Temos a nossa própria estratégia para 2023 e queremos ganhar as eleições em 2023″, disse, quando questionado sobre a possibilidade de a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) liderar uma nova coligação para governar o país.

Mari Alkatiri falava à saída de uma curta reunião de “15 minutos” com o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, em que apenas se tratou a questão do navio que estava a ser construído em Portugal para ligação entre Díli e a Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), processo que Alkatiri liderou até ao ano passado.

O debate sobre uma nova coligação de Governo surgiu depois de os líderes da atual coligação, a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) – o ex-Presidente Xanana Gusmão e o atual primeiro-ministro Taur Matan Ruak – afirmarem que a coligação “já não existe”.

A crise política que Timor-Leste vive há vários anos foi agravada com o ‘chumbo’ da proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020.

Em declarações hoje à Lusa, o ex-Presidente timorense José Ramos-Horta mostrou-se confiante que uma nova coligação governativa possa ser encontrada nos próximos dias, na sequência de “contactos intensos” com o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), partido de Xanana Gusmão.

“Os contactos têm sido intensos por parte dos partidos, mas em particular com o CNRT, com os potenciais parceiros de uma coligação”, disse à Lusa José Ramos-Horta, que tem dialogado com os principais líderes do país.

Ramos-Horta afirmou que em cima da mesa está uma coligação liderada pelo CNRT com as restantes forças parlamentares mais pequenas e que excluiria o Partido Libertação Popular (PLP), do atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e a Fretilin, na oposição.

O ex-chefe de Estado acrescentou que nos contactos preliminares alguns dirigentes políticos, especialmente de forças mais pequenas, “insistem que além de uma possível coligação liderada pelo CNRT devia-se também fazer um esforço para contactar o PLP e a Fretilin”.

O cenário possível é que essas forças políticas “queiram designar algum elemento ou elementos a participarem no Governo, resultando num possível Governo de grande inclusão”, explicou.

Questionado pela Lusa sobre um eventual apoio de incidência parlamentar a essa nova maioria, Mari Alkatiri disse que foi ele próprio quem introduziu essa modalidade em Timor-Leste, mas que, a ocorrer, não será “um cheque em branco” como ocorreu no passado.

“A incidência parlamentar neste país fui eu que introduzi, mas incidência parlamentar como cheque em branco, que foi usada em 2013, 2014 e 2015, isso não vai acontecer”, afirmou.

O líder da Fretilin mostrou-se igualmente pouco favorável à possibilidade de o partido ‘emprestar’ militantes para um novo Governo.

“Isto não é clube de futebol que pode emprestar jogadores de que não precisa. A Fretilin precisa dos membros todos”, afirmou.

Alkatiri escusou-se ainda a comentar a questão do diferendo entre o Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo e o CNRT sobre a não nomeação de vários membros indigitados do atual Governo.

“Não vou pronunciar-me sobre isso. Fiz declarações no passado e não vou repetir a minha posição. Agora isso depende do Xanana e do Presidente da República”, afirmou.

Caso a coligação em debate entre várias forças políticas não avance, Alkatiri diz que a Fretilin está preparada para eleições, mesmo que considere que essa não é a melhor opção.

“Se há um partido preparado em qualquer momento para eleições é a Fretilin. Não queremos por questão de princípio. Não podemos passar a vida em eleições antecipadas”, disse.

“O país está a ter cada vez mais um nascimento precoce”, considerou.

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