O campo de concentração do Tarrafal, situado na ilha de Santiago, em Cabo Verde, foi criado a 23 de Abril de 1936 pelo governo de Oliveira Salazar, tendo recebido os primeiros presos no dia 29 de Outubro do mesmo ano.

A associação "Não apaguem a memória" (NAM) organiza quarta-feira, na Assembleia da República, o colóquio "Tarrafal: uma prisão, dois continentes", para assinlar o dia da Memória dos Resistentes e das Vítimas da Ditadura.

O colóquio pretende abordar as diversas fases históricas da prisão cabo-verdiana tanto como prisão política de resistentes antifascistas portugueses, entre 1936 e 1954, como de militantes anticolonialistas de Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau, entre 1961 e 1974.

A sessão de abertura do colóquio que marca o 72º aniversário da chegada dos primeiros presos ao campo de concentração do Tarrafal, terá início às 9h30 no auditório da Assembleia da República e contará com as participações do Ministro da Justiça, Alberto Costa, e do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

 O colóquio da NAM, que decorre durante todo o dia, contará ainda com a participação do antigo preso político Edmundo Pedro, do Juiz-Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Eduardo Maia Costa, ou da Governadora Civil de Lisboa, Dalila Araújo.

 A associação "Não apaguem a memória" é um movimento cívico que luta para manter viva a memória sobre a repressão do Estado Novo, nomeadamente através da transformação em museu dos edifícios que foram palco de tortura, como a antiga sede da PIDE/DGS e as prisões de Aljube e do Tarrafal.

 A NAM apresentou em Novembro do ano passado uma petição na Assembleia da República na sequência da qual foi elaborado um projecto de resolução parlamentar, aprovado no dia 6 de Junho, que propõe o apoio, por parte do Estado, à criação de um Museu da Liberdade e da Resistência, com sede na antiga Cadeia do Aljube, em Lisboa e de um Roteiro Nacional da Liberdade e da Resistência espalhado pelo país, de locais ligados à luta antifascista e à revolução de Abril de 1974.

 

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