A responsável, que falava sobre a situação da criança em Cabo Verde, no âmbito do Dia Internacional da Criança, que se assinala hoje, 01 de Junho, disse ter a sensação de que falta algo, pois, a real protecção da criança, que é de responsabilidade tripartida (família, governo e Estado), está a falhar.

“Temos crianças desparecidas, vítimas de abusos e exploração sexual que o sistema da protecção ainda não consegue cobrir dando real protecção a que necessitam e respeitando os seus direitos”, realçou.

Apesar de tudo isso, Carmem Delgado fez questão de salientar que, no que tange a ganhos, não é possível negar as conquistas, tendo apresentado o plano de política pública para a criança como um exemplo das boas práticas.

O país, segundo disse, além destes problemas, é confrontado ainda, com o dilema do trabalho infantil, razão que leva a Associação de Crianças Desfavorecidas (Acrides) a realizar encontros para falar do tema realçando o trabalho doméstico versus trabalho infantil.

“Com este debate queremos fazer os pais e encarregados de educação terem a noção do que é um trabalho adequado para as crianças fazerem em casa”, acrescentou.

Voltando aos direitos e deveres das crianças, a secretária executiva da Acrides, é de opinião que a família, neste domínio, “está a falhar muito”, pois, defende, é preciso que ensinam as crianças a existência dos dois lados da moeda: direitos e deveres.

Neste particular, Carmen Delgado referiu-se a “pouca importância” que a família tem dado na transmissão dos valores aos filhos, pelo que alerta ao Governo a investir e a ‘empoderar’ as famílias para que possam cuidar dos seus descendentes.

“As famílias têm de ter muito cuidado com a educação dos seus filhos, fiscalizando todo o movimento, pois, hoje muitos pais oferecem um telemóvel ao menor e nem têm o cuidado de saber a que ‘sites’ este está a entrar e que contactos tem nas redes sociais”, explica, pedindo mais atenção das famílias para com os seus menores.

A violência psicológica e de negligência, realça, é também uma prática dos familiares para com as crianças e adolescentes, resultando em bloqueio dos seus esforços, autoestima e realização, e provocando, na sua opinião, um efeito muito perverso no desenvolvimento infanto-juvenil.

No caso dos desaparecimentos das crianças, Carmen Delgado chama a atenção das autoridades para uma maior fiscalização dos portos, aeroportos e zona marítima exclusiva, visando uma resposta mais célere aos familiares.

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