Salvador Mascarenhas assegurou que a manifestação realizada na última sexta-feira, reunindo milhares de pessoas em São Vicente, correspondeu “cabalmente” às “altíssimas expectativas, que a antecederam”, afiançou, em conferência de imprensa na manhã de hoje, na localidade de “Atrás de Morro Branco” nas periferias da zona de Ribeirinha, que demonstra as “várias dificuldades de falta de água, luz e acessibilidades,” que passam ainda alguns mindelenses.

“O papel da Sokols na organização deste protesto foi de mero facilitador, o verdadeiro motor foi a insatisfação generalizada com as decisões do Governo e da câmara municipal, que é sentida transversalmente pela sociedade mindelense”, considerou este activista, para quem o impacto da manifestação “ultrapassa largamente” às fronteiras de São Vicente.

Isto, porque, segundo a mesma fonte, as ilhas do norte, a diáspora e a sociedade civil “consciente” em todo o país reagiram de “forma expressiva e solidária” à esta “iniciativa memorável”.

Desta forma e perante a “coesão” demonstrada pela sociedade na defesa dos seus direitos, a Sokols, garantiu, sente-se “enormemente motivada” a continuar a luta pela “consciencialização” do eleitor cabo-verdiano e pela “transformação da filosofia de governação” do país.

Salvador Mascarenhas disse que a população de São Vicente está “consciente” que, invés da concretização de promessas como melhoria dos transportes, Terminal de Cruzeiros, “hub” marítimo entre outras, a ilha, e o norte “por extensão”, foi “sitiada por um bloqueio de transportes aéreos e marítimos”, que resultou na “progressiva asfixia da economia” e com “perdas significativas” para os operadores económicos.

“Exigimos que o Governo preste contas das decisões danosas que tem tomado para a ilha nesta e noutras matérias e que nos esclareça sobre as decisões que pretende tomar no futuro para reverter a situação ruinosa por que passa a região”, lançou.

Questionado se pretendem marcar um encontro com o primeiro-ministro que virá a São Vicente ainda neste mês de Julho, o líder dos Sokols disse que se Ulisses Correia e Silva mostrar disposto também estão abertos, mas não vão atrás dele.

“É dever dele como governante ir de encontro às necessidades da população, perante uma manifestação desta envergadura é dever dele encontrar com a sociedade civil e perguntar”, reforçou, acreditando que a transformação “passa pela mudança de sistema e das pessoas que estão lá”.

Mas, considerou, o executivo pode não admitir mas se sente “mexido” com o protesto, tanto assim é, que já se verifica algumas “medidas cosméticas”, mas que deveriam ser tomadas, defendeu, pensando no futuro.

“Enquanto houver cabo-verdianos sem três pratos de comida, que não têm acesso à saúde e condições de habitabilidade, o Estado deve gerir em estado de contenção”, sustentou, criticando o exemplo da conferência ministerial realizada em Paris, França, que foi também uma das razões a seu ver que fizeram a sociedade dar cartão vermelho aos sucessivos Governos e à governação local.

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