O presidente da Comissão Política do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Alcides Graça, em conferência de imprensa hoje, no Mindelo, revelou a existência de um “pré-acordo entre a empresa Fonseca & Santos e o Património do Estado, para a cedência gratuita das estruturas metálicas” das instalações da FIC, na Laginha, desmanteladas para dar lugar a construção de um hotel, e que deverão ser utilizadas na construção de um espaço multiuso.

“Em contrapartida da oferta desse material, as futuras edições das feiras em São Vicente serão realizadas naquele espaço, sendo as primeiras gratuitas, mas depois a FIC terá de pagar para utilizar aquelas instalações”, declarou Graça, referindo-se ao espaço da Academia Carlos Alhinho, que deve receber um centro multiuso a construir por essa empresa.

O acordo, prosseguiu, é “apenas uma simulação”, pois o seu pretende “verdadeiramente é viabilizar o investimento da empresa Fonseca & Santos com duas ou três feiras por ano”, pelo que, para Alcides Graça, “não haverá novas instalações da FIC em São Vicente”.

“O meu receio é que se for construído esse tal espaço multiuso para acolher as primeiras edições da FIC em São Vicente, pós-desmantelamento das instalações da Laginha, nunca mais teremos instalações da FIC em São Vicente”, reforçou a mesma fonte.

Alcides Graça disse ainda estar na posse de informações, segundo as quais as obras do espaço multiuso na Academia Carlos Alhinho irão arrancar brevemente para acolher vários eventos, entre eles as feiras, e que não entende esse “tratamento especial e diferenciado em relação a esta empresa e a este empresário”.

O líder local do PAICV sugeriu ainda ao Governo que esse material metálico retirado das instalações da FIC na Laginha daria “grande jeito” na construção de dois pavilhões cobertos, “óptimos para a prática do desporto”, nas escolas secundárias “Augusto Pinto” e “Jorge Barbosa”.

Alcides Graça revelou ainda que recebeu informações do presidente do conselho de administração da FIC, segundo as quais, já foi identificado um espaço para construção da futura FIC na Zona Industrial do Lazareto ao Património do Estado e entregue ao ministro das Finanças o termo de referência, mas que impera o “silêncio absoluto, não sabem absolutamente nada”.

“Nunca esteve no Orçamento do Estado, não é considerada uma obra prioritária e, por outro lado, existem boas instalações na Praia para realização da Feira Internacional, que resolve o problema da realização das feiras em Cabo Verde, tranquilamente”, concluiu o presidente da Comissão Política do PAICV-São Vicente.

Inforpress/Fim

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