O Presidente da República Interino classificou hoje, no Tarrafal de São Nicolau, o poder local como uma das experiências “mais bem-sucedidas” da curta história democrática do arquipélago e elegeu São Nicolau como “ilha do futuro”.

Jorge Santos fez essas considerações quando intervinha na sessão solene comemorativa do município, que se celebra hoje, e não poupou nos elogios ao poder local, ao município do Tarrafal e à ilha de São Nicolau no seu todo.

O poder local, hoje, dentro do sistema político, “é acarinhado”, disse, aproveitando a ocasião para anunciar um pacote de reformas legislativas para “empoderar e reforçar cada vez mais” esse “importante poder”.

Referiu-se, pois, ao novo estatuto dos municípios, a uma nova lei e regime de finanças locais, uma nova lei do ordenamento do território e nova lei de solos, mas também uma nova lei da cooperação descentralizada, esta, já aprovada.

Com ênfase particular no concelho do Tarrafal, Jorge Santos classificou-o de “especial” por estar no imaginário coletivo dos cabo-verdianos, na história da emigração e da diáspora cabo-verdiana, mas também, aludiu, na história da “capacidade de resiliência” do povo cabo-verdiano.

Contudo, reconheceu que o concelho e a ilha, ultimamente viveram “momentos difíceis de isolamento” em termos dos transportes aéreos e marítimos, que trouxeram “consequências nefastas” ao desenvolvimento de todos os sectores da vida da ilha e levou “muitos sanicolauenses à indignação, à manifestação” para dizer que a ilha “merece ser integrado no todo nacional”.

“São Nicolau tem sido uma das ilhas vítimas das assimetrias regionais que infelizmente ainda existem no país”, lançou o Presidente da República Interino, reconhecendo embora que, hoje, “já existem sinais positivos” para resolver este problema do isolamento.

Por isso, sublinhou, o reforço financeiro das câmaras municipais “não é oferta do Governo”, pelo contrário, aludiu, é um “direito das próprias autarquias” e o Governo tem “a obrigação de exercer e executar” o sistema de finanças locais.

“São Nicolau é ilha de futuro e com todas as condições para se desenvolver, que tem ainda muito a dar a Cabo Verde, deu no passado, está a dar no presente e vai dar no futuro, mas é preciso inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento da ilha”, concluiu.

Intervieram ainda no ato solene o presidente da Assembleia Municipal, que fez uma avaliação positiva do desempenho da autarquia, o presidente da câmara, que deixou uma mensagem de esperança no futuro aos munícipes tarrafalenses.

“Nestes últimos anos, muita coisa mudou para melhor no município, mas há muito caminho a percorrer, a situação financeira da autarquia, nosso calcanhar de Aquiles, começa a ganhar a solidez necessária para os desafios”, elencou José Freitas.

O acto solene decorreu no Centro Cultural Paulino Vieira e foi seguido de missa e procissão em honra ao santo padroeiro.

O Município do Tarrafal de São Nicolau foi criado no ano de 2005 com a separação da ilha de São Nicolau em dois municípios – Ribeira Brava, a noroeste, e Tarrafal a sudoeste.

Tem uma superfície total estimada em 121,5 quilómetros quadrados e integrado por sete zonas: Fragata, Ribeira Prata, Praia Branca, Tarrafal, Cabeçalinho, Hortelã, Palhal e Ribeira dos Calhaus.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) publicados hoje na brochura “Curiosidades sobre o Município do Tarrafal”, o município tem 5233 habitantes, o que representa 42,4 por cento (%) da população da ilha de São Nicolau, e 1% da de Cabo Verde.

Em 2015, 58,3% da população era considerada pobre, segundo o INE.

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