O cheque com este valor resulta do prémio Caja Granada de Cooperação Internacional em "reconhecimento pelo esforço e dedicação de ambos na procura de uma maior justiça social no mundo".

Enquanto presidentes honorários do Festival Sete Sóis Sete Luas, Saramago e Fo vão entregar o cheque à associação que organiza o evento - cumprindo, aliás, a condição deste prémio criado em 1998: ser sempre destinado, pelo vencedor, a uma ONG ou a um projecto de cooperação internacional (e assim foi feito por personalidades como a então comissária europeia Emma Bonino, o Prémio Nobel da Economia Muhamad Yunus ou o cantor brasileiro Carlinhos Brown).

Segundo o jornal português "Diário de Notícias", desta vez, o dinheiro será utilizado para a construção de um Centro Cultural Sete Sóis Sete Luas na Ribeira Grande (Ilha de Santo Antão), em Cabo Verde.

No âmbito dos protocolos que têm sido estabelecidos pela associação que desde 1993 organiza aquele festival de artes e culturas dos países do Mediterrâneo (que inclui, nomeadamente, manifestações nos domínios das artes plásticas, música popular, étnica e tradicional e do teatro de rua) será criada uma rede de centros culturais em oito localidades de cinco países (ver caixa).

Segundo comunicado da associação, trata-se uma "nova etapa" na vida deste projecto que tem procurado criar uma "rede cultural alternativa entre cidades mediterrânicas de pequena e média dimensão", em países como o Brasil, Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos e Portugal.

Esses centros culturais, adianta a Sete Sóis Sete Luas, visam promover uma programação constante, sobretudo no domínio das artes plásticas, "dar mais espaço aos movimentos artísticos e juvenis dos países do Mediterrâneo e do mundo lusófono" e organizar "intercâmbios artísticos" entre as cidades integradas na rede do Festival. As residências artísticas a organizar com universidades, a produção de obras para doação e a cooperação com os municípios envolvidos estão entre os objectivos.

Os centros Sete Sóis Sete Luas pretendem contribuir para "o desenvolvimento de um espírito europeu comum". Por outro lado, desenvolvem a vontade inicial de "conquistar um novo público", oferecendo a largas faixas da população a possibilidade de entrar em contacto, em muitos casos pela primeira vez, com artistas (pintores, escultores, actores) de outros países. A rede de centros possibilitará valorizar artistas de renome, "muito cotados e reconhecidos no seu país de origem, mas ainda sem projecção internacional".

Haverá um critério de funciomanento: cada centro apresentará projectos originais, sobretudo no período de Outubro a Maio, os quais, uma vez concretizados, circularão pelos outros centros da rede, "criando assim um percurso eficaz de diálogo intercultural e de mobilidade artística".

SAPO CV com DN

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