Jorge Santos, que está de visita a Santo Antão, explica que se trata de uma “infraestrutura essencial na integração da ilha na economia nacional” e “algo fundamental” para esta ilha, que está a perder a sua população, sobretudo jovens, devido à falta de oportunidades, nesta região.

No seu entender, Santo Antão “tem muito a dar” a Cabo Verde e, por isso, é “essencial” que todos trabalhem no sentido da integração desta ilha na economia nacional, através do turismo, prestação de serviços, indústria, condição “sine qua non” para estancar o êxodo dos santantonenses para outras ilhas ou para o estrangeiro.

“Todos os poderes públicos, sejam eles locais ou nacionais, devem convergir para a concretização do aeroporto, que é um compromisso importante do Governo, inscrito no seu programa para a Legislatura”, adiantou o presidente da AN, esperando que o Executivo e as câmaras municipais se empenhem nesse sentido.

Os estudos com vista à construção do aeroporto prosseguem, segundo o Governo, que espera estar a iniciar, ainda neste mandato, a construção dessa infraestrutura, que se vai localizar no Porto Novo.

Nesta altura, através de uma estação automática, está-se na fase de recolha dos dados atmosféricos, processo que permitirá, dentro de três anos, obter os dados relativos à pressão do ar, temperatura, humidade do vento e precipitações.

A estação, instalada em Agosto, nas imediações de Ponte Sul/Casa de Meio, provável localização do futuro aeroporto, tem possibilitado à equipa pluridisciplinar, encarregue de elaboração dos estudos, recolher dados atmosféricos que possam permitir a implantação dessa infraestrutura aeroportuária.

Enquanto isso, o Governo vai, em parceria com as câmaras de Santo Antão, preparar o plano diretor e estudos de impacto ambiental e económico-financeiro do futuro aeroporto de Santo Antão, definir as áreas de servidão e de proteção das operações e elaborar o anteprojeto do aeroporto.

Além de recolha dos dados atmosféricos, já se procedeu, também, no âmbito dos estudos, iniciados em 2016, aos levantamentos orográficos dos terrenos e sobre o curso de água.

Segundo o Governo, o aeroporto de Santo Antão, que poderá dispor de uma pista de 2.500 metros de comprimento, deverá custar entre 18 milhões a 20 milhões de euros e estará a ser contratualizado em 2020.

Os autarcas santantonenses, que têm trabalhado com o Governo na procura dos parceiros para a implementação do projeto, acreditam que a União Europeia (UE) será “grande parceira” na construção do aeroporto.

Depois da visita, em Setembro, dos eurodeputados a Santo Antão e do “grande interesse” demonstrado pelos parlamentares europeus sobre a questão do aeroporto, os autarcas desta ilha têm esperança em que a UE venha a apoiar esta ilha na concretização de “mais este desígnio”.

Os autarcas, que têm vindo a alertar para o facto de a ilha estar estagnada, à espera dos “grandes projetos”, de entre eles, o aeroporto, lembram que os eurodeputados constataram, eles próprios, nessa visita, a necessidade de Santo Antão dispor desta infraestrutura para dinamizar a sua economia, tendo prometido “exercer toda a sua influência” junto da UE.

Os municípios de Santo Antão têm vindo a enaltecer o “grande suporte” que a UE tem dado ao processo de desenvolvimento de Santo Antão, nos vários domínios, tendo, mais recentemente, financiado o programa de reconstrução desta ilha, na sequência da tempestade de 2016.

Santo Antão deixou de ter ligações aéreas a partir dos anos 90, quando o então aeródromo da Ponta do Sol, que tinha uma pista com apenas 650 metros de cumprimento, e sem possibilidades de ampliação, foi desativado, por razões de operacionalização.

Nesta sua visita a Santo Antão, a convite da câmara do Porto Novo, para a inauguração de alguns projetos, Jorge Santos defendeu ainda a necessidade de o Governo avançar com a segunda fase do porto, para permitir atracagem de navios de cruzeiro.

“Porto Novo é hoje uma cidade que tem um papel importante para Santo Antão, por ser a porta de entrada marítima desta ilha. Por isso, é fundamental a segunda fase do porto para permitir a atracagem de barcos de longo curso”, notou.