A poucos meses do término do mandato da equipa camarária liderada por Júlio Lopes, onde a câmara entrará em gestão corrente, já que as eleições autárquicas deverão acontecer no segundo semestre deste ano de 2020, Kátia Carvalho reiterou que depois de aprovados seis orçamentos neste mandato – dois dos quais rectificativos -, há que avaliar o que o Sal precisa e os compromissos eleitorais.

Para a eleita municipal, no que respeita aos compromissos eleitorais, “nem é preciso falar porque ficaram aquém das expectativas”.

“Não se cumpriu aquilo que se propôs fazer, aliás, o presidente já nem fala nos compromissos que assumiu. Mas a verdade é que depois de aprovados seis orçamentos não se vê melhorias, impacto na qualidade de vida das pessoas porque os problemas persistem, e outros agravaram ainda mais”, analisou.

Também, segundo Kátia Carvalho, não se pode deixar de falar da questão da habitação que, conforme notou, ficou-se “aquém” das propostas eleitorais e necessidades.

“Não podemos deixar de falar dos fogos do programa Casa para Todos, e da gestão eficiente que se deveria fazer. Entendemos que a gestão que está a ser feita deixa muito a desejar, e não resolve o problema do deficit habitacional da ilha do Sal”, referiu, focando, por outro lado, a necessidade de políticas a nível da condição feminina, para empoderar a mulher na ilha turística.

“Esta câmara não conseguiu fazer uma política social que melhorasse a condição feminina, e isto sente-se a nível da vulnerabilidade da criança que fica exposta, da violência doméstica e sente-se a nível dos dados do abandono e do insucesso escolar”, sublinhou.

Não obstante os investimentos que a câmara tem feito a nível de algumas infra-estruturas, Kátia Carvalho entende que todo o investimento deve ser de uma forma eficaz, priorizando as áreas com maior impacto na vida das pessoas.

“Infra-estruturas que, por exemplo, servem o turismo, continuam por requalificar. Pensamos na estrada que liga Espargos/Santa Maria, cheia de buracos, por iluminar, não dá condições de segurança”, exemplificou, observando, entretanto, que embora seja uma responsabilidade do Governo, a câmara “não se pode demitir das suas funções, a nível de diálogo e exigência”.

Além destas inquietações, Kátia Carvalho aponta ainda a realização de algumas obras municipais, mas que continuam inoperacionais, nomeadamente o Matadouro Municipal, o Mercado Municipal que tem “várias deficiências”, entre outros exemplos.

“Ou seja, nós entendemos que esta câmara trabalha para mostrar, para fazer marketing, sem pensar na qualidade daquilo que faz, e no investimento que deve fazer”, reprovou.

Kátia Carvalho conclui dizendo que a esta altura, tem certeza de que a equipa camarária, liderada por Júlio Lopes, “não vai conseguir” cumprir com os compromissos eleitorais que fez com a população do Sal, pelo simples facto de serem compromissos “não exequíveis” neste tempo de mandato que resta.

“Deveria ter começado a trabalhar desde o início, nomeadamente na questão da habitação… uma falha completa desta câmara àquilo que se propôs fazer, mas também não conseguiu chegar nas pessoas, e mudar aquilo que era previsto”, encarou.

“Não conseguiu chegar no universo da população satisfazendo as necessidades e os problemas. Fez-se uma gestão muito direccionada a grupos específicos, próximos da autarquia, sem ver a população. O Sal não está bem”, enfatizou, concluindo.

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