Tudo começou, segundo contam os dois envolvidos, no sábado durante os jogos das finais, disputados no encerramento do Praia Beach Games 2019, na cidade da Praia. Dia em que a formação da Ribeira Grande de Santiago venceu Os Deep por 2-1, sagrando-se campeão em futebol de praia masculino.

Conforme relatou Abdulay Fonseca este foi preso “injustamente” pela Polícia Nacional, a mandado de Manuel de Pina. Isto, porque, disse, estava ele no meio dos adeptos de Ribeira Grande que, descontentes pelo facto do autarca ter comparecido apenas na final, gritavam que este não era bem-vindo.

“Ausentei do local e, quando voltei, encontrei o presidente acompanhado de dois agentes da polícia. Ele (Manuel de Pina) me deu voz de prisão e me levaram para esquadra, com alegações que eu estaria a perseguir e faltar ao respeito ao presidente com palavras”, contou o vice-presidente da JPAI na Ribeira Grande, negando as acusações de Manuel de Pina.

Abdulay Fonseca disse ainda que ficou detido na esquadra de Achada de Santo António desde as 23:00 de sábado até as 13:00 de domingo, quando sua advogada foi pedir Termo de Identidade e Residência.

“Eu não poderia ser detido apenas por causa de uma queixa. Eu não discuti com Manuel de Pina e nem o dirigi palavra em nenhum momento”, afirmou este “jota”, questionando as razões que levaram à sua detenção. Aliás, respondeu o mesmo que o presidente da câmara o mandou prender apenas por este ser vice-presidente da JPAI em Ribeira Grande Santiago e por estar constantemente a confrontar a edilidade sobre as políticas para a juventude no concelho.

Mais adiante, Abdulay Fonseca disse ter-se sentido humilhado e prometeu levar este caso até “as últimas consequências”, a começar por apresentação de uma queixa-crime contra Manuel de Pina e o comandante da Esquadra da Polícia Nacional de Achada de Santo António.

Por seu turno, Manuel de Pina afirmou que esteve no local a convite da Câmara Municipal da Praia para ir participar na final do referido torneiro. “Logo que cheguei na Gamboa este indivíduo começou a perguntar o que fui lá fazer. Pensando eu que ele estaria a brincar fui para o cumprimentar, mas este se recusou”, completou.

Em seguida, o edil de Ribeira Grande disse que seguiu o seu caminho e foi se sentar, mas que Abdulay Fonseca “continuou a dizer e a instigar mais pessoas a gritar” que Manuel de Pina não tinha nada que estar ali a fazer.

Ao ver que a situação estava a ficar agravada, frisou Manuel de Pina que teve de avisar a Polícia Nacional que estava a ser perseguido por “aquele indivíduo” e que iria lhe dar voz de prisão, por conta daquilo que classificou de “tamanha falta de respeito”.

“Durante todo o tempo que estive ali e de costas para a bancada. Corri o risco de alguém atirar algum objecto contra a minha pessoa. Este indivíduo tem me perseguido até nas redes sociais, me chamando de todos os tipos de nomes. A partir de agora vou tomar medidas. O caso já está no tribunal e vou levar até as últimas consequências”, completou.

Manuel de Pina criticou ainda o facto de Abdulay Fonseca ter passado apenas um dia detido. “Dormiu um dia na esquadra. Mas era para ter ficado ali até segunda-feira para ser entregue ao tribunal”, acrescentou o autarca, afirmando que a justiça cabo-verdiana funciona “bastante mal.

“O procurador que mandou soltar Abdulay Fonseca, dentro do período normal do processo, fez um mau serviço à Justiça cabo-verdiana. Queria saber se ele estivesse na mesma situação, a ser xingado e chamado de vários nomes publicamente, como é que agiria”, criticou Manuel de Pina, frisando que “por isso é que esta terra tem indivíduos a agir à margem da lei, sem respeito à lei e às autoridades”.

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