Desde esta segunda-feira passada e até dia 6 de janeiro a rede internet e os serviços de mensagens estão bloqueados em todo o território da República Democrática do Congo, bem como a difusão da RFI neste país.

Para as autoridades congolesas este bloqueio tem o objectivo de “preservar a ordem pública…dado que começaram a circular resultados ficícios…que nos poderiam conduzir ao caos, afirmou Kikaya bin Karubi, um do conselheiros do Presidente Joseph Kabila.

Certo é que o corte da internet apanhou todos de surpresa, incluindo os actores económicos como bancos e outras instituições não financeiras, que não foram avisados.

Para a oposição que clama vitória, este bloqueio é liberticida e um atentado à liberdade, denuncia fraudes massiças, acusando o poder cessante de conspirar, para garantir a vitória do seu candidato, o antigo ministro do interior Emmanuel Ramazani Shadari, face aos opositores Martin Fayulu dado como favorito e Félix Tshisekedi.

O calendário eleitoral prevê que dia 6 de janeiro sejam divulgados os resultados provisórios das eleições gerais de 30 de dezembro, que além de designarem o sucessor do Presidente Jospeh Kabila – no poder desde 2001 – e que deverá tomar posse a 18 de janeiro, vão determinar quem serão os 500 membros do parlamento e os deputados locais para as 26 províncias do país, incluindo a capital Kinshasa, um total de 780 deputados serão eleitos.

Em comunicado conjunto esta terça-feira (1/01) a União Europeia e os Estados Unidos pedem às autoridades congolesas que desbloqueiem a rede internet e o acesso aos media e acesso de observadores ao centro de compilação dos resultados eleitorais.

O cidadão português Paulo Belchior residente há cinco anos em Kinshasa, admite que a situação é “complicada para a comunidade” e segundo ele o “bloqueio da internet poderá durar até ao final de janeiro“, pois “quando há perigo de usar as redes sociais para causar alguns distúrbios, o governo pura e simplesmente corta“.

Já o cidadão angolano António Alexandre Nzita, que reside há mais de 40 anos na República Democrática do Congo, onde começou por ser refugiado é mais peremptório, considerando que o bloqueio da internet significa que “eles querem fazer fraude” porque as eleições “não passaram bem…devido à falta de máquinas e eles não querem que isso se saiba no mundo inteiro“.


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