A quarta-feira de Quaresma para os católicos é recebida em Santiago, Cabo Verde, com muita comida onde predominam pratos tradicionais, como pratos à base milho e feijão, cozido de peixe seco com couve, cuscuz e mel.

Uma receita que se serve em todas as casas e é pretexto para reunir as famílias e os amigos.

Durante a manhã de terça-feira, no mercado do centro da cidade da Praia a azáfama era grande, mostrando que a tradição continua a ser o que era e que os habitantes de Santiago continuam fiéis à tradição de Cinzas.

Maria Tavares, dona-de casa, foi uma das pessoas que se deslocou ao mercado do centro da cidade, à procura dos melhores produtos e os melhores preços.

"O almoço de Cinzas é um pretexto para reunir a família e os amigos. É também um gesto de generosidade porque todos os que chegam são bem recebidos", explicou.

Já Helena Alves vai passar o dia de Cinzas no interior da ilha. "Nós que temos familiares fora da Praia costumámos passar o dia de Cinzas na nossa comunidade. É um momento de reencontro com a família", explicou.

Católica praticante, Helena Alves disse que comer hoje "não é pecado", já que "Deus perdoa porque sabe que é a nossa tradição".

No entanto, o padre Angelino Vieira sustenta que as tradições de Cabo Verde não têm muito a ver com o que a igreja propõe.

"No dia de Cinzas a igreja recomenda não só a abstinência de carne como também jejum. Mas em Cabo Verde, muitas pessoas esquecem e deixam-se levar pela tradição cultural, que leva ao exagero", reconheceu.

A "fartura" de pratos tradicionais acontece nas residências mas também nos restaurantes da ilha. Na cidade da Praia, a própria Câmara Municipal promove um grande almoço de Cinzas no centro da cidade onde além dos pratos típicos, haverá actividades culturais e recreativas com actuações de vários artistas.

@Lusa