“Aquilo que nós identificámos como eventualmente mais crítico será a questão das perdas comerciais e, portanto, as questões do furto de energia, questões de segurança de rede e questões de garantia de qualidade de rede. Acho que esse é um ponto em que Portugal pode ajudar”, explicou João Bernardo, resumindo a visita dos técnicos portugueses, nos últimos dias, a Cabo Verde.

A posição foi assumida pelo diretor-geral de Energia e Geologia em declarações à agência Lusa à margem do seminário “Portugal – Cabo Verde: Parceria para uma Transição Energética Sustentável”, que se realizou hoje na cidade da Praia.

O responsável recordou que Portugal, no passado, também enfrentou “situações muito semelhantes” às vividas em Cabo Verde, relacionadas com quebras comerciais, as quais “não têm a ver só com questões de pobreza energética”.

“Portanto, não é a população mais desfavorecida que muitas vezes tem este tipo de atividade e que faz este tipo de furtos, mas muitas empresas e muitas instituições, hotéis”, entre outros, alertou João Bernardo.

O mesmo responsável sublinhou que a Direção-Geral de Energia e Geologia de Portugal conta com estruturas próprias de combate à fraude, cuja experiência pode ser disponibilizada a Cabo Verde.

“Isso é uma das coisas em que podemos ajudar Cabo Verde, no âmbito da cooperação, a ultrapassar o problema e a criar um sistema resiliente”, explicou.

O apoio deverá passar pela formação e colaboração técnica, até tendo em conta o processo em curso em Cabo Verde, com a separação das áreas de comercialização, distribuição e produção de energia, no âmbito da privatização da empresa pública Electra.

Uma atuação que deverá ser “integrada”: “A regulamentação técnica pode ser reforçada, tem de haver recurso a um maior número de inspeções – isto obriga a uma formação e capacitação para identificação de problemas -, mas tem de se encontrar também outros mecanismos, sobretudo para a população mais desfavorecida”, ressalvou.

Para João Bernardo, Cabo Verde ainda precisa de operacionalizar a aplicação da tarifa social na área da energia.

“Operacionalizá-la de forma a que seja efetiva e possa dar apoio às populações”, rematou.

Segundo o diretor nacional da Indústria, Comércio e Energia de Cabo Verde, Rito Évora, cerca de 21% da energia elétrica produzida no arquipélago é de origem renovável, eólica e solar, e o reforço da cooperação com Portugal passa precisamente pelo setor das energias renováveis, mas também pela mobilidade elétrica.

O objetivo é “beber da experiência” portuguesa, explicou Rito Évora.

A visita da delegação portuguesa a Cabo Verde resulta do protocolo de cooperação no domínio da Energia, celebrado no Mindelo, em dezembro de 2012, entre os ministérios da Economia e do Emprego de Portugal e o Ministério do Turismo, Indústria e Energia cabo-verdiano.

“Queremos reforçar essa cooperação e com novas áreas, tanto do lado de Portugal, como do lado de Cabo Verde”, concluiu o dirigente cabo-verdiano.

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