Aristides Gomes falava aos jornalistas, no final de uma série de reuniões com os embaixadores e representantes de organismos internacionais sediados em Bissau, a quem explicou a posição do Governo sobre a posse simbólica de Umaro Sissoco Embaló como Presidente guineense.

“Há uma afronta, mais do que uma afronta, um golpe de Estado”, defendeu Aristides Gomes, quando instado a comentar a cerimónia de investidura simbólica de Sissoco Embaló.

O primeiro-ministro guineense considerou ainda a cerimónia ocorrida numa unidade hoteleira de Bissau como “um ato de passagem em força” por parte de Embaló ou “uma atitude de guerra, se se quiser”, disse.

“Todos os embaixadores estiveram connosco para analisarmos aquilo que acaba de acontecer, a cerimónia de investidura de um Presidente sem que se conhecesse o veredito sobre um contencioso eleitoral no Supremo Tribunal”, notou Aristides Gomes.

O primeiro-ministro guineense acusou ainda Sissoco Embalo de ter posto de lado “uma instituição fundamental na administração de justiça” que é o caso do Supremo Tribunal de Justiça.

Aristides Gomes observou que o Governo faz tudo para evitar conflitos no país, daí ter ordenado que as forças de ordem se posicionassem no perímetro do local da cerimónia, sem intervir.

O chefe do executivo disse que o Governo não vai acatar ordens de uma entidade ilegítima e lembrou que o seu destino foi traçado a partir das eleições legislativas de 10 de março passado, através da vontade do povo.

A posse simbólica de Umaro Sissoco Embaló decorreu sem a presença da comunidade internacional, à exceção dos embaixadores da Gâmbia e do Senegal.

A seguir à cerimónia, Embaló, já com a faixa presidencial, seguiu, acompanhado pelo Presidente cessante, José Mário Vaz, para o palácio da presidência, no centro de Bissau.

Já na presidência, foi feita uma nova cerimónia de transferência de poderes, após a qual o Presidente cessante abandonou o Palácio Presidencial, onde milhares de apoiantes de Embaló festejaram.

O presidente do parlamento guineense, Cipriano Cassamá, que conforme a Constituição do país é quem concede a posse ao Presidente eleito, demarcou-se da cerimónia, estando a aguardar pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça ao recurso interposto pelo candidato Domingos Simões Pereira, alegando irregularidades e fraude eleitoral.

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