"Temos de apostar num reforço da literacia mediática, dando aos cidadãos conhecimentos para destrinçar a informação disponível" disse Jacqueline Carvalho, gestora da agência de notícias cabo-verdiana, resumindo a opinião de peritos participantes no encontro, juntamente com a embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, académicos e jornalistas.

Na conferência, organizada pela Inforpress com o apoio da agência Lusa e do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, a embaixadora da União Europeia (UE) no arquipélago, Sofia Sousa, salientou que "o fenómeno da desinformação afeta muito mais que os jornalistas, afeta as sociedades e os sistemas democráticos".

A diplomata admitiu que "a UE está a sofrer deste flagelo" e defendeu que resolver este problema "implica uma conjugação de vontades de muitos atores”, mas rejeitou “qualquer solução que passe por limitar a democracia e a liberdade”.

Na mesma linha, o reitor da Universidade Piaget em Cabo Verde, Wlodzimierz Szymaniak, defendeu "uma maior literacia mediática e maior exposição a conteúdos de qualidade", acrescentando que "o que é gratuito não estimula a qualidade".

O especialista desvalorizou, no entanto, o impacto das 'fake news' em acontecimentos políticos recentes como a chegada ao poder dos presidentes dos Estados Unidos da América ou do Brasil, e a desinformação que existiu durante a campanha eleitoral nas vésperas do referendo britânico sobre a saída da União Europeia.

"Não dispomos de nada absoluto que prove que esta [as 'fake news'] foi a evidência decisiva, porque o comportamento humano resulta de muitos fatores, e por isso talvez a União Europeia pudesse fazer uma análise mais profunda sobre a razão por que os britânicos perderam a confiança na UE e não só culpar a Cambridge Analytica e as 'fake news' pelos resultados", disse o académico polaco.

Na resposta durante o debate, a diretora de informação da Lusa, Luísa Meireles, salientou que "quando há um bombardeamento 'noticioso' sobre os eleitores recorrendo ao Facebook ou outras redes para se veicular notícias que são falsas, o problema existe e consegue-se influenciar o eleitor para votar de uma maneira ou de outra".

Durante a intervenção no debate, o chefe de redação e um dos fundadores da agência Inforpress, Franklim Palma, sustentou que "as ‘fake news’ estão no ADN dos cabo-verdianos" e explicou que isso acontece devido aos rumores que se formavam por causa da demora que as notícias, no século passado, demoravam a chegar do arquipélago à diáspora, "às vezes semanas ou meses".

"A obsessão com o rigor por parte das agências de notação é a salvação", concluiu.

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