Paulo Rocha fez essa revelação, hoje, na sessão plenária de Junho, durante a apresentação do debate sobre a questão da segurança no país, tendo assegurado que os investimentos feitos estão a dar resultados visíveis, mas reconheceu que é preciso trabalhar muito mais.

Segundo o governante, os dados dos primeiros cinco meses desde ano indicam que há uma tendência de diminuição de ocorrências criminais, crimes contra as pessoas e contra o património, e em relação ao homicídio, a tendência continua estável em relação ao ano passado, verificando o mesmo número de casos em relação aos primeiros cinco meses de 2018.

Paulo Rocha disse ainda que nos principais centros urbanos houve uma redução significativa em termos absolutos, e percentuais na ordem dos 20% em relação ao período homólogo em cinco das nove ilhas do país e 13 dos 22 concelhos nomeadamente na ilha do Sal, Boa Vista, São Vicente bem como os concelhos da Praia, Santa Cruz, Santa Catarina, São Miguel, Tarrafal de São Nicolau e São Salvador do Mundo.

Acrescentou que os dados confirmam que os homicídios tendem a diminuir e que a percepção de insegurança diminuiu em 9 pontos percentuais.

Por outro lado, sublinhou que os casos de desaparecimento de pessoas, sobretudo de crianças, obrigam a uma reflexão profunda sobre a complexificação do crime do impacto social das novas formas de criminalidade, e exige mais das autoridades, da polícia de investigação, do Ministério Público, dos cidadãos e muito mais da classe política.

Por seu turno, o líder da bancada parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), Rui Semedo, disse que as medidas do Governo não têm surtido os efeitos esperados e desejados, fazendo com que o país continue a enfrentar problemas graves de insegurança, pondo em causa a tranquilidade das pessoas, vulnerabilizando a integridade física e patrimonial dos cidadãos.

Para o PAICV, a gravidade da violência urbana é testemunhada pela quantidade de homicídios ocorridos no primeiro semestre deste ano, pelo aumento do abuso sexual de crianças, assaltos à mão armada de forma cada vez mais ousada e descontrolada.

Rui Semedo acusou o ministro de ser o grande responsável da situação actual do país, uma vez que, considerou, o mesmo adoptou uma postura de “tapar os ouvidos e fechar os olhos para dirigir uma instituição tão importante como a Polícia Nacional, instalando um clima de medo e a desconfiança quando se precisava de aumento de autoestima e de confiança”.

“A vertente da segurança privada encontra-se abandonada, sem apoio e regulação do Estado, a polícia municipal ficou no papel e nas intenções, não há nenhuma estratégia de articulação entre o público, o privado e o municipal, em termos de complementaridade, a protecção civil espera por melhores dias e os bombeiros esperam e desesperam por melhores condições de trabalho, por meios materiais mínimos e por uma carreira digna e justa”, atestou o deputado que acusou o governante de não se preocupar pela forma como as pessoas estão a desaparecer.

Para o líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, que defendeu mais uma vez que a segurança é a maior riqueza de qualquer país e Cabo Verde não foge à regra.

“Este é o momento certo dos intervenientes políticos se concentrarem naquilo que é a preocupação dos cabo-verdianos e encontrarem a melhor solução e política para que cada cidadão se sinta seguro e dono do seu lugar”, advogou.

No seu entender, é “importante” que o Ministério da Administração Interna tenha uma relação “bondosa” com todos os agentes do serviço de segurança, porque se não for assim será “extremamente difícil” esses profissionais desenvolverem as suas funções com todas as performances necessárias.

“O Governo, tem de encontrar o melhor mecanismo para que realmente este ministério e serviço possa funcionar”, sublinhou o presidente da UCID que chamou também a atenção para a questão da inserção social.

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