Aquela responsável, que falava à Inforpress, à margem da capacitação de grupos promotores da paridade de género na cidade da Praia, afirmou que há uma sub-representação das mulheres no parlamento, enquanto o conceito da igualdade remete para uma participação equilibrada.

A formação tem como público-alvo os deputados municipais, vereadores e membros das organizações partidárias, com o objectivo de dar esclarecimentos sobre a questão de género, a participação política e socialização do projecto de lei da paridade, que vai ao parlamento na última sessão de Outubro.

“O projecto de lei vai com o limiar da paridade, 40 a 60 por cento (%). Quer dizer que nenhum dos géneros deve ser representado nem menos de 40 % nem mais de 60%”, observou, acrescentando que em Cabo Verde as mulheres estão menos de 40% no parlamento, não constituindo aquilo que se chama de massa crítica.

Por outro lado, avançou, os homens estão representados em mais de 60%. Neste sentido, esclareceu, a projecto de lei visa dar orientações aos partidos políticos na elaboração das listas, para que haja mais mulheres no parlamento.

“Não é que a lei seja uma lei de mulheres ou para mulheres. É uma lei para a sociedade cabo-verdiana. Só que neste momento as mulheres estão sub-representadas”, clarificou.

Filomena Delgado espera que os grupos que estão sendo capacitados venham a funcionar como promotores da paridade porque, segundo ela, não é só aprovar a lei.

A seu ver, todos têm que dar o seu contributo, apostando na formação, sensibilização, para que se veja com naturalidade a participação das mulheres na vida política do país.

A formadora defendeu, também, a partilha do mercado de trabalho, da política e labores informais entre homens e mulheres.

“Há uma situação que condiciona a participação das mulheres, que é o facto de o trabalho não remunerado estar a cargo das mulheres”, apontou.

Conforme frisou, os dados são “preocupantes”, uma vez que a “pobreza em Cabo Verde tem o rosto feminino”.

“Não é só ter a lei aprovada, mas também é preciso trabalhar outros sectores como educação e saúde”, enfatizou.

No que se refere à educação, Filomena Delgado reforçou que neste ponto é preciso trabalhar com os rapazes porque são os que mais abandonam as escolas e estão a ter “menos sucesso do que as meninas”.

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