Janira Hopffer Almada falava hoje em conferência de imprensa, na cidade da Praia, no balanço da visita de dois dias a São Vicente, tendo na ocasião afirmando que passados quase três anos, em que a ilha é governada “por uma única força política”, viu “os problemas nas diferentes áreas agravaram-se”.

Para a líder do maior partido da oposição, as medidas adotadas pelo Governo, nomeadamente o “decreto do hub aéreo” na ilha do Sal já acarretou e continua a acarretar “enormes prejuízos” para as empresas sediadas em São Vicente, e “enormes dificuldades” aos sanvicentinos.

“O povo de São Vicente sabe que tem o seu aeroporto internacional e não entende porque razão o Governo lhe prometeu felicidade e o obriga a se deslocar à Praia ou ao Sal para apanhar voo direto para Lisboa, e, ainda por cima, por um preço muito mais elevado”, disse Almada, sublinhando que “não se pode aceitar mais o argumento de desentendimentos” entre o poder central e local, devido a cor política dos partidos.

Segundo a responsável partidária, o setor industrial “está bloqueado” pela “falta de transporte direto”, seja para a importação de matérias-primas, seja para a exportação de produtos finais, pelo que os “extraordinários projetos” de investidores privados para São Vicente que o Governo anunciou ainda não passaram de “anúncios e conversas”.

“Nem mesmo os que tinha informado que já havia mobilizado, ainda nenhum se concretizou passados três anos, inclusivamente projetos cuja primeira pedra foi lançada em finais de 2016”, ajuntou.

A situação do desemprego na ilha, segundo a líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), é “cada vez mais gritante”, sobretudo na camada jovem que, conforme indicou, para além desse problema agora também encontra-se com “menores possibilidades de prosseguir os seus estudos”.

Janira Hopffer Almada acusou ainda o Governo e a autarquia local de “insensibilidade” para com a aérea social na ilha de São Vicente, ressalvando que “a desarticulação e a degradação” da capacidade de resposta a nível da saúde, educação e habitação devem-se à “incompetência do MpD” em resolver esses problemas.

Nas vésperas da discussão do penúltimo Orçamento do Estado da atual legislatura, o PAICV, realçou a presidente, quer saber quando é que o Governo começará a trabalhar para implementar o programa que apresentou aos cabo-verdianos e cumprir as promessas.

Questionada sobre a situação atual por que passa PAICV e sobre o agendamento da reunião com os deputados do PAICV sobre a regionalização e preparativos para a próxima sessão plenária de novembro, Janira Hopffer Almada frisou que tais questões “devem ser colocadas ao líder do grupo parlamentar”, porque enquanto presidente está “focada na resolução dos problemas que afligem os cabo-verdianos”.

CM/AA