Em jeito de balanço final no término do ano parlamentar, Alcides Graça considerou que a ilha de São Vicente está em “estado de ebulição”, numa “panela de pressão prestes a arrebentar a qualquer momento”.

Isto, porque, segundo a mesma fonte, o Governo “seduziu” a população com promessas que não podia. O líder local do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) apontou vários exemplos, entre os quais os 45 mil postos de trabalho, crescimento da economia a sete por cento a ano, regionalização, expansão do Hospital Baptista de Sousa, Zona Económica Especial Marítima e outros.

“O povo acreditou nestas promessas e votou massivamente no MpD”, lançou Alcides Graça que falava nesta manhã em conferência de imprensa na sede do partido e fez o retrato da ilha com “elevada taxa de desemprego jovem e de inactividade, economia estagnada e sem nenhuma perspectiva de crescimento”.

Por esta razão, o líder regional do PAICV pede ao primeiro-ministro que “não prometa mais nada, ou anuncie o início de obras estruturantes em São Vicente”, porque “se continuar a anunciar obras sabendo que não vai cumprir, estará a contribuir para alimentar a panela de pressão, que poderá explodir a qualquer momento”, reforçou, acrescentando que se isto acontecer as “responsabilidades devem ser assumidas por quem de direito”.

Alcides considerou ser a manifestação da última sexta-feira como um indício deste perigo e que deve ser “levada a sério”, daí, asseverou, estranha-se o silêncio do Governo, que parece “desvalorizar” o acto e da própria Câmara Municipal de São Vicente, que “não aparece e não diz nada”.

“Na legislatura de 2011-2016 nós tínhamos um leão quase semanalmente na comunicação social em tons agressivos, ameaçadores contra o Governo central, hoje temos um gatinho de estimação, que não faz, não diz absolutamente nada contra o Governo”, criticou, Alcides Graça referindo à postura de Augusto Neves, que, assegurou, “não reage” a medidas do Governo que, de facto, têm “prejudicado São Vicente”.

Quanto às críticas lançadas pelo povo sobre a postura dos deputados, este garantiu que os do PAICV também se revêm nesta reprimenda, mas também os dos MpD e da UCID.

“Há questões de São Vicente, que merecem um pacto de entendimento entre os deputados e que merecem ser defendidos por todos os deputados”, concretizou, apontando assuntos como a regionalização e as ligações aéreas.

Respondendo à pergunta sobre a possibilidade de se recandidatar à Câmara Municipal de São Vicente, Alcides Graça disse que se vai ter algumas directrizes depois do Conselho Nacional do partido, a realizar neste fim-de-semana.

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