"O PAICV está determinado a acionar todos os meios legais, políticos e institucionais até que sejam apuradas as responsabilidades políticas e criminais e até que sejam criadas as condições para que o que aconteceu na ilha da Boavista não aconteça a mais ninguém em nenhuma ilha de Cabo Verde", disse o deputado Walter Évora.

O representante da comissão política nacional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e deputado eleito pela Boavista falava, em conferência de imprensa, na cidade da Praia.

Em causa está a morte, no sábado, de uma jovem, grávida, que foi transferida da Boavista para o Sal, por via marítima, depois de, segundo versão de familiares, a companhia aérea Binter CV ter alegado não poder fazer o transporte devido à lotação do voo.

Recebida no Hospital Ramiro Figueira, na ilha do Sal, na madrugada de sexta-feira, a mulher, de 30 anos, que sofria de uma cardiopatia mitral, viria a morrer no sábado, depois de ter sido operada e da sua situação clínica se ter agravado, segundo comunicado da unidade hospitalar.

A companhia aérea rejeitou, em comunicado, quaisquer responsabilidades no caso e lembrou que a transferência de doentes entre ilhas é uma obrigação do Governo cabo-verdiano.

Para Walter Évora, este caso "põe a nu a situação de total desproteção, vulnerabilidade, uma situação precária que se vive em Cabo Verde".

O deputado do PAICV defende que "a responsabilidade política deve ser assumida pelo governo", nomeadamente pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e pelo ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, a quem acusa de terem sido "negligentes", de "desmantelarem" um sistema de transferências que "funcionava" e de "não terem contratualizado com a Binter as condições de prestação do serviço público".

Walter Évora defende que o Governo parece estar "na mão de determinados interesses económicos instalados em Cabo Verde e completamente impotente perante uma empresa que pode a qualquer momento deixar Cabo Verde sem ligações aéreas domésticas".

O PAICV disse ainda esperar "uma ação célere, firme e forte do Ministério Público para assacar responsabilidades penais e civis".

"A situação que vivemos hoje em Cabo Verde é consequência direta das políticas deste governo e do seu primeiro-ministro que deveria estar a anunciar um conjunto de medidas emergências para garantir que não haja mais perda de vidas devido a falta de evacuação médica por via aérea", disse.

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