Em comunicado, a Fundação Amílcar Cabral adianta que a homenagem ao dirigente histórico da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) vai decorrer na quarta-feira à tarde, na sua sede, na cidade da Praia.

“Com este ato singelo, pretende a FAC, na pessoa do seu presidente e do coletivo dos seus membros, cumprir um dever de memória para com este dileto filho de Moçambique, combatente incansável pela dignidade dos povos do continente, comprometendo-se a fazer perdurar o seu legado junto dos mais jovens”, justificou a fundação cabo-verdiana.

A mesma fonte sublinhou que Marcelino dos Santos pertenceu à “geração pioneira e visionária dos grandes patriotas africanos”, originários das antigas colónias de Portugal, entre os quais se destacavam as figuras épicas de Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Agostinho Neto, Viriato Cruz, Lúcio Lara e Mário Pinto de Andrade.

“Juntos e, solidariamente, souberam forjar os caminhos difíceis do combate pertinaz, solidário e duro, que culminariam com a libertação e as independências dos seus países e povos, então, oprimidos e humilhados”, lê-se no comunicado.

Na semana passada, em entrevista à agência Lusa, o antigo Presidente de Cabo Verde Pedro Pires recordou Marcelino dos Santos como um amigo e último representante de uma “geração que marcou a história” e que destacou num “momento diferente” na luta pela independência.

“Marcelino dos Santos pertence a uma geração de que faziam parte Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Eduardo Mondlane, Mário Pinto de Andrade, Viriato Cruz, Lúcio Lara, que foram, não diria os iniciadores, mas representaram um momento diferente na luta dos povos colonizados para a sua independência”, recordou o presidente da FAC.

Marcelino dos Santos morreu no dia 11 de fevereiro, aos 90 anos vítima de uma paragem cardíaca.

Natural de Lumbo, junto à Ilha de Moçambique, na província de Nampula (Norte do país), fez parte com Samora Machel e Uria Simango do "triunvirato" que chefiou a Frelimo após a crise aberta com o assassínio de Eduardo Mondlane, em 1969.

Após a independência, exerceu, entre outros cargos, o de presidente da Assembleia da República de Moçambique, entre 1986 e 1994, último lugar institucional que ocupou, apesar de ter continuado na vida política.

O Governo moçambicano decretou sete dias de luto nacional e decidiu realizar um funeral de Estado em 19 de fevereiro, antecedido de velório no dia anterior.

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