"Não me oponho ao escrutínio, mas tem de ser para o bem e não para o mal, não pode servir para desestabilizar, e tem de ser para aumentar o desenvolvimento do país", disse o Presidente, numa longa intervenção feita na sessão inaugural dos Encontros Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que decorrem até sexta-feira em Malabo.

"Nepotismo, corrupção, fui acusado de todos os males, quando o que fizemos nos últimos anos foi preservar a paz e a estabilidade política, e hoje o nosso país é um exemplo para África e para o mundo", acrescentando: "Alguns chamam nepotismo, mas eu chamo-lhe desenvolvimento com a ajuda de um povo em paz", disse o chefe de Estado, numa intervenção em que passou em revista os últimos cinquenta anos do país.

"Nos primeiros anos desde a independência, em 1968, continuaram a dizer-nos que estávamos condenados ao fracasso, mas aqui estamos, vivos; depois, nas décadas de 1980 e 1990, a Guiné Equatorial encabeçava a lista dos países mais pobres, e a imprensa internacional só fazia eco do sofrimento e da miséria do nosso povo", lembrou o Presidente.

"Depois, com a exportação de petróleo, os apetites colocaram-se sobre a mesa e em vez de perguntarem pelo passado, as preocupações centraram-se sobre se o Governo seria capaz de gerir essa riqueza", acrescentou o governante, criticando existem "pessoas e instituições" com uma visão colonialista de África.

"Existem pessoas e instituições que partilham um visão colonial, não o assumem porque não é politicamente correto nem moralmente aceitável, mas elas reconhecem-se pelas suas ações", afirmou, sem concretizar.

"Diziam-nos que, como menores de idade, não devíamos decidir sobre os nossos recursos e foram outros a tentar decidir o que fazer com as receitas do petróleo", lembrou Obiang, vincando: "Sempre fomos criticados pelo uso que demos ao dinheiro do petróleo, e cada passo que demos foi merecedor de críticas, incluindo este empreendimento de Sipopo foi duramente criticado quando foi construído, mas nós fizemos tudo isto, o campo de golfe, a praia artificial, o hotel de luxo e o centro de congressos para a dignidade do nosso povo e do nosso continente".

Garantindo que "a Guiné Equatorial está aberta para os investidores", Obiang defendeu uma maior integração regional, alinhando o discurso com o tema desta conferência que junta centenas de governantes africanas, investidores, observadores e académicos sob o tema da integração regional em África.

"A Guiné Equatorial transformou-se radicalmente e deixou de ser um dos países mais pobres do mundo para ter um dos mais elevados PIB do continente, mas o desenvolvimento não é o PIB per capita, para mim é aumentar as possibilidades de as pessoas viverem uma vida mais digna", salientou Obiang.

O país, conclui, "está empenhado na integração regional e na diversificação da economia no contexto da integração regional para capitalizar o nosso potencial numa agenda ambiciosa de desenvolvimento, em linha com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável com a Agenda 2063".

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