Em declarações a Inforpress, a partir de Portugal, Luís Júnior Gonçalves Lima disse que “nunca” imaginou que os cabo-verdianos pudessem aderir a essa causa da forma que aderiram. O “melhor de tudo”, referiu, foi “a participação em massa pela causa em questão”.

“O que me deixou triste foi a forma que alguns cabo-verdianos se posicionaram de forma negativa perante essa situação”, afirmou o jovem estudante de Marketing no Instituto Universitário da Maia – ISMAI, distrito do Porto, norte de Portugal.

O jovem fazia assim referência ao ocorrido na cidade da Praia, onde a marcha terminou em “clima meio tenso” depois dos manifestantes terem forçado a barreira policial em frente à Embaixada de Portugal, invadido a Assembleia Nacional e dirigido para a casas do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, e do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e terminado em frente a residência oficial do embaixador de Portugal, pontos que não estavam no percurso inicial anunciado.

Para Júnior Lima, a iniciativa de mudar o percurso foi uma atitude tida “no calor da emoção” que, de uma certa, forma deixou uma “imagem menos positiva” de tudo, visto que os organizadores fizeram um pedido legal com as trajectórias e no final não foi cumprido.

“Mas nem por isso tira o orgulho que foi ver o povo, no país e na Diáspora, unido por uma causa maior”, frisou o jovem para quem “há sempre quem aproveite de iniciativas do tipo para tirar proveito próprio”.

Júnior Lima explicou ainda que a ideia de organizar esta marcha silenciosa surgiu da “indignação” resultante da forma como as entidades responsáveis e os órgãos de comunicação trataram o caso que tirou a vida ao jovem Luís Giovani poucos dias antes do Natal.

“Primeiramente, pensei em juntar os cabo-verdianos residentes na cidade do Porto e nas outras cidades perto de Bragança para fazer uma manifestação. Entrei em contacto com a Kleisy Pina, administradora da página ‘Caloiros de CV’ para fazer com que o evento chegasse mais longe possível em termos de adesão”, contou.

Júnior Lima acrescentou que a outra jovem respondeu “prontamente”, fez “alguns contactos” e conseguiram um representante por cada cidade ou país. Na cidade do Porto, afirmou, contaram com “uma enorme ajuda” de uma cabo-verdiana residente ali, conhecida por Navvàb.

A marcha em homenagem a Giovani aconteceu sábado passado em várias cidades de Cabo Verde, mas também na diáspora, como Paris, Lisboa, Londres, Estados Unidos e Luxemburgo.

Luís Giovani dos Santos Rodrigues, de 21 anos, morreu no passado 31 de Dezembro, vítima de agressão em Bragança, onde tinha chegado Outubro de 2019, para formação em Design de Jogos Digitais, no Instituto Politécnico de Bragança.

Era um dos mais promissores artistas dos Mosteiros tendo destacado na banda Beatz Boys, um grupo integrado por jovens formados pela paróquia de Nossa Senhora da Ajuda.

O funeral de Giovani Rodrigues está marcado para sábado, com partida da residência dos familiares em Fajãzinha, Mosteiros, a partir das 09:00.

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