A economista cabo-verdiana Georgina Mello tomou hoje posse como directora-geral da CPLP, assumindo como principal desafio a sustentabilidade da comunidade lusófona, que passa por "criar um tecido económico e social" que a suporte.

Em declarações aos jornalistas após a cerimónia de posse na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Lisboa, a nova directora-geral da organização disse querer acrescentar a sustentabilidade ao que já existe, nomeadamente nos três eixos da comunidade: a difusão da língua portuguesa, a cooperação e a concertação político-diplomática.

"Falta aquilo que eu chamo a sustentabilidade. Criar um tecido económico e social que suporte isto tudo, que transforme a CPLP naquilo que os cidadãos querem. Querem senti-la mais próxima, que lhes toque, que lhes diga respeito", disse Georgina Benrós de Mello.

Para a responsável, isso faz-se "pela via de mais comunicação, mais circulação de pessoas, bens e serviços, mais empresa, mais comércio, mais investimento, mais relação empresarial, mais relação entre as organizações da sociedade civil".

A nova directora-geral admitiu que isso passa pela concretização do estatuto do cidadão lusófono, algo que "não se tira da cartola", mas que se vai construindo pouco a pouco.

Exemplificando que esse trabalho pode começar com programas de intercâmbio de jornalistas ou estudantes, Georgina Mello afirmou que "essa experiência vai dar segurança às instituições que fazem o controlo das fronteiras".

"Com isso vamos alargando, e dentro de um determinado horizonte temporal teremos o nosso estatuto", afirmou.

Já antes, ao discursar perante os embaixadores dos Estados-membros na CPLP e dos funcionários do secretariado executivo, Georgina Mello recordara que, ao criar a sustentabilidade, a CPLP ganhará maior visibilidade e mais credibilidade.

Entre outras áreas, a nova directora-geral a dirigir um grupo de trabalho que o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, encarregou de repensar a visão da comunidade lusófona, numa altura em que a organização faz 18 anos.

Questionada sobre essa nova visão, Georgina Mello associou-a à agenda pós-2015: "Precisamos de ter melhor qualidade de vida das populações, isso consegue-se com mais emprego, mais empresa, mais comércio, mais investimento".

Para a economista, é preciso "mais conexão" entre os países.

Finalmente, Georgina Mello disse desejar que no final do seu mandato, de três anos, se possa dizer que a CPLP está mais próxima das populações.

"Normalmente nos nossos países só ouvimos falar da CPLP quando há uma cimeira ou uma reunião conselho de ministros, é uma coisa pontual. O que desejo é que dentro de três anos possa ouvir-se mais, independentemente de haver ou não cimeiras e reuniões do conselho de ministros. Mas porque aconteceram coisas na sociedade civil ou entre as empresas e as câmaras de comércio".

O director-geral é recrutado entre cidadãos nacionais dos Estados membros, mediante concurso público internacional, por um prazo de três anos, renovável uma vez, por igual período, mediante a decisão do Comité de Concertação Permanente.

Criada em 1996, a CPLP é uma organização internacional com sede em Lisboa que junta oito países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Lusa