O secretário-geral do PSD, Matos Rosa, elogiou hoje o trabalho do Movimento para a Democracia (MpD), no poder, considerando que, com as três vitórias eleitorais de 2016, o partido cumpriu em Cabo Verde o sonho de Sá Carneiro.

Matos Rosa está em Cabo Verde a representar o Partido Social Democrata (PSD) na XI Convenção do MpD, que hoje cumpre o seu segundo e último dia.

Instado pelos jornalistas a comentar as vitórias alcançadas pelo MpD em 2016, quando venceu as eleições legislativas com maioria absoluta, conquistou 18 das 22 câmaras municipais e apoiou o candidato vencedor das eleições presidenciais.

"Faço um paralelismo com o que o doutor Sá Carneiro queria que era um presidente e uma maioria. O MpD conseguiu consubstanciar isso. Apoiou um presidente que foi vencedor, ganhou as legislativas, ganhou as autárquicas e fez um trabalho muito importante ao longo destes anos ao nível da oposição", disse.

Para Matos Rosa, o MpD "soube renovar os seus quadros, ter ideias novas e aproximar-se dos eleitores".

"Para nós é muito importante essa aproximação, esse saber estar na oposição e saber estar no governo", acrescentou.

O secretário-geral do PSD sublinhou a "relação muito próxima de amizade, de trabalho e colaboração mútua" entre dois "partidos irmãos" e membros da mesma família política internacional.

"Somos dois partidos reformistas e humanistas e que se preocupam muito com o progresso", afirmou.

Cerca de 300 delegados do Movimento para a Democracia (MpD) estão reunidos hoje, na cidade da Praia, no segundo e último dia da convenção do partido, que na sexta-feira debateu e aprovou por unanimidade uma moção de estratégia com as linhas orientadores para os próximos três anos.

A convenção prossegue hoje com a apresentação de uma proposta de revisão dos estatutos que deverá ter como ponto mais polémico a alteração relativa às incompatibilidades entre o exercício de cargos partidários e na administração pública.

O Movimento para a Democracia (MpD) afirma-se como um partido "centrista, aberto e interclassista", inserindo-se na Internacional Democrata do Centro (IDC), a mesma família política do PSD.

Fundado em 12 de março de 1990 e tendo como primeiro presidente Carlos Veiga, venceu a 13 de janeiro de 1991 as primeiras eleições democráticas de Cabo Verde com maioria qualificada, repetindo a vitória em 1995.

Depois de 15 anos de um regime de partido único do PAIGC/PAICV, o MpD surgiu como uma das principais forças associadas à abertura política cabo-verdiana.

Em 2001, passou para a oposição após ter sido derrotado pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), então liderado por José Maria Neves.

Regressou ao poder sob a liderança de Ulisses Correia e Silva, gestor e antigo autarca da capital cabo-verdiana, e depois de ter ganho as eleições legislativas de março com maioria absoluta.

Lusa