O chefe de Estado realçou que Dom Paulino Évora “foi uma personalidade de referência na vida nacional, particularmente no pós-independência” e que “Cabo Verde perde uma personalidade que teve uma importância crucial na afirmação da Igreja católica em Cabo Verde, figura de referência na missão de evangelização da igreja”.

“É também um homem discreto, sereno e uma personalidade muito forte e marcante, cujo pensamento contribuiu inegavelmente para um certo percurso que o país teve. Paralelamente a este percurso, uma referência moral para o país, enquanto “defensor de um desenvolvimento centrado no homem, na pessoa humana”.

Jorge Carlos Fonseca lembrou que Dom Paulino Évora “dizia sempre que o desenvolvimento que não tem no encontro o homem não é, verdadeiramente, o desenvolvimento”, sublinhando que os critérios que defendia foram sempre de “dignidade da pessoa humana e da sua afirmação, enquanto defensor dos valores da liberdade.

“Foram estes critérios que rodearam, assente na sua visão e avaliação do percurso que o país foi tendo. Neste sentido foi crítico em relação aos aspectos do partido único (…), Dom Paulino nunca foi um homem ligado a partidos políticos e foi crítico sempre que era necessário que fosse”, afirmou.

Segundo Jorge Carlos Fonseca, Dom Paulino sempre teve uma ideia muito clara de que o trabalho fundamental de evangelização implicava que a autonomia, liberdade e independência em relação aos poderes políticos e de qualquer outro, e tinha outras características que lhe parecia ser “um homem severo, convicto”.

Recordou, por outro lado, que logo no início do seu mandato enquanto Presidente da República pretendia agraciar-lhe com uma contribuição do Estado, “pela sua figura de religioso, mas também muito importante na vida”, mas muito delicadamente e simpaticamente declinou o convite, porque “preferia estar no seu canto”.

Jorge Carlos Fonseca lembrou ainda que recebeu conselho de Dom Paulino aquando da sua visita ao Vaticano, onde foi recebido pelo Papa Francisco, e ter falado do processo de Beatificação do Escravo Manuel, da história da Igreja católica em Cabo Verde, da relevância da Diocese da Ribeira Grande na Evangelização em Cabo Verde e do resto da África.

O chefe de Estado, nesta sua primeira reacção, endereçou as suas sentidas condolências aos familiares, à igreja católica através do cardeal Dom Arlindo Furtado, reconhecendo se tratar de  uma perda muito importante para os cristãos, para os católicos em particular, para a Igreja em Cabo Verde e para o país.

Dom Paulino Livramento Évora, primeiro Bispo cabo-verdiano, faleceu hoje na Cidade da Praia, aos 88 anos, vitima de doença prolongada.

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