O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ontem, 4, que o país tem “cumprido os compromissos assumidos com a CEDEAO” em matéria de pagamento das quotas em atraso, pelo que “não é verdade” o que revelou a candidatura de Orlando Dias.

Em nota de imprensa enviada à Inforpress, Orlando Dias, um dos interessados na candidatura à presidência da Comissão da Comunidade Económica para o Desenvolvimento da África Ocidental, afirmou que a proposta que Cabo Verde apresentou à CEDEAO, no sentido de amortizar as suas dívidas em dez anos, “não foi aceite, o que pode atrapalhar” o sonho do país em assumir a presidência da organização.

“O arquipélago, contrariamente ao que tem sido veiculado na imprensa, ainda não acertou as dividas da taxa comunitária com a CEDEAO e, tampouco, a proposta de 10 anos que submeteu às autoridades de Abuja, para o pagamento dos atrasados, foi aceite”, lê-se na referida nota de imprensa.

Confrontado com estas declarações, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, desmentiu as afirmações em apreço, tendo sublinhado que “estes assuntos dos Estados membros da CEDFAO não são tratados assim”, ou seja, “são tratados com muita responsabilidade no quadro das reuniões estatutárias que existem”.

“Cabo Verde, em relação à CEDEAO, tem cumprido rigorosamente aquilo que prometeu. Prometemos pagar todo o ano de 2017 e fizemos”, precisou Luís Filipe Tavares, acrescentando que o Governo a que pertence apresentou uma proposta para o pagamento dos atrasados, correspondente a mais de dez anos de dívidas, que “está sendo negociada” com a comunidade.

Segundo ele, o arquipélago não é o primeiro, nem o segundo e nem será o último Estado a dever à CEDEAO.

“Vários outros Estados já deveram e fizeram propostas de pagamento que foram negociadas e Cabo Verde vai fazer a mesma coisa”, enfatizou Luís Filipe Tavares, acrescentando que só neste ano o país já pagou “mais de 70 mil contos em quotas em atraso relativas a várias organizações internacionais”.

“Estes assuntos são tratados com discrição, sentido de responsabilidade e em negociações entre os Estados membros”, indicou o governante, referindo-se à questão das quotas do país em relação à CEDEAO.

Conforme referiu ainda, a seu tempo, a Cimeira dos Chefes de Estado e do Governo pronunciar-se-á sobre este assunto das dívidas que, na sua opinião, “não é um assunto que preocupa Cabo Verde”.

“Cabo Verde é um país sério e que trabalha muito bem com as instâncias internacionais e de forma serena”, explicou o chefe da diplomacia cabo-verdiana, dizendo, em jeito de recomendação, que “estes assuntos não são tratados na praça pública”.

“Vamos apresentar a nossa candidatura à presidência da Comissão, negociar com a CEDEAO e, depois, a Cimeira dos Chefes de Estado e do Governo, de uma maneira soberana, como sempre faz, vai propor a nomeação tranquilamente”, avisou Luís Filipe Tavares, ajuntando que o Governo está a fazer um “excelente trabalho com a CEDEAO”, além de estar a avançar sobre vários dossiês relativos a uma “integração plena”do país na organização sub-regional.

Deixou ainda transparecer que o executivo está a trabalhar no sentido de se criar as condições para a abertura de uma Embaixada na capital nigeriana, Abuja.

“Queremos assumir a presidência da CEDEAO e esperemos que isto aconteça. Vamos continuar a trabalhar com total serenidade para negociarmos com a Comissão e os Estados membros para encontrarmos a melhor solução”, apontou o ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros, que revelou que o país tem recebido da comunidade internacional “manifestações de agrado” em relação à candidatura do país à presidência da Comissão da organização oeste africana.

Instado sobre a data em que Cabo Verde vai apresentar o seu candidato, garantiu que isto vai acontecer no “momento oportuno”.

Ao todo, são quatro interessados cabo-verdianos em assumir a presidência da Comissão da CEDEAO. Além de Orlando Dias, que é um dos vice-presidente do Parlamento da CEDEAO desde 2016, há ainda Isaías Barreto, que ocupa atualmente a função de Comissário da CEDEAO para a área das Telecomunicações e Tecnologias de Informação desde 2014, o professor universitário nos Estados Unidos Júlio Carvalho, e o consultor jurídico António Andrade Lopes Tavares.

SAPO c/Inforpress