Gilberto Silva lançou esse repto ao presidir esta terça-feira na Cidade da Praia, a abertura do workshop de validação do projeto de “Avaliação Inicial da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe” e reiterou-o em declarações à imprensa, afirmando que, apesar de ser um pequeno Estado insular, com ecossistemas bastante frágeis, que é fundamental que Cabo Verde desenvolva ações que visem uma boa gestão de resíduos perigosos.

“A recomendação à Direção Nacional do Ambiente e à Agência Nacional de Água e Saneamento é no sentido de desenvolver um sistema de recolha específico de resíduos com mercúrio, através da definição de uma estratégia e de um programa concreto que trabalhe com os produtores ou gestores de mercúrio, nomeadamente as instituições hospitalares, mas também toda a sociedade”, esclareceu.

Segundo o ministro, para gerir bem e diminuir consideravelmente o perigo a que todos estão expostos, é preciso apostar na gestão do lixo e dos vários produtos que se abandona na natureza e que contém o mercúrio (metal líquido), como baterias, termómetros, medidores de pressão, ou lâmpadas.

“É uma estratégia muito simples que demanda a educação ambiental, demanda as condições logísticas, demanda o financiamento, mas demanda, sobretudo, a grande participação da sociedade e das instituições públicas e privadas que manuseiam com produtos que têm mercúrio”, observou.

Gilberto Silva ressaltou que Cabo Verde importa produtos que contém mercúrio, e não vamos deixar de os importar porque ao mesmo tempo que é bastante perigoso à saúde, é também importante para o desenvolvimento das atividades humanas a nível da saúde e da indústria.

Neste sentido, o governante esclareceu que a estratégia mundial é de não utilizar um produto com esse metal, se não houver necessidade, assim como fazer uma boa gestão dos produtos que são necessários, como forma de diminuir a exposição dos cidadãos e dos ecossistemas ao mercúrio.

É tendo em conta esse propósito que Cabo Verde está a trabalhar na criação das condições para a ratificação da Convenção de Minamata em Mercúrio que entrou em vigor em 2014, um processo iniciado há cerca de dois anos, de acordo com o ministro, “para poder estar em melhores condições de obtermos a ajuda nesta tarefa”.

“Não sei precisar a data da ratificação da conveção, mas com a conclusão do estudo sobre a Avaliação Inicial Minamata (MIA) e discussão do relatório, estaremos a dar mais um passo neste sentido, e pensamos que um ano ou dois estaremos em condições para a ratificação”, notou.

Entretanto, o coordenador da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) em Cabo Verde, Rui Levy, agência que, em parceria com o Fundo Global do Ambiente (Global Environmental Facility – GEF), está a ajudar o país neste processo, assegurou que o arquipélago está em condições de ratificar a convenção, neste momento.

“Há todos os procedimentos necessários para a ratificação de uma convenção, mas neste momento, Cabo Verde está em condições de ratificar Convenção de Minamata em Mercúrio”, sublinhou Rui Levy à margem do workshop de validação do projeto de “Avaliação Inicial da Convenção de Minamata sobre o Mercúrio em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe”.