O governante, que respondia aos comentários do deputado Manuel Inocêncio Sousa (PAICV), no debate sobre o última estado da nação da presente legislatura, disse que “não há nenhum risco” em relação aos avales que o Governo tem dado à Cabo Verde Airlines e que “as coisas estão a ser tratadas com transparência” e pede “seriedade” quando o assunto é a transportadora aérea nacional.

Para o líder do grupo parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), Rui Semedo, quando o MpD assumiu o poder em 2016, o país tinha três aviões ATR e um Boeing que ficou parado, enquanto, durante “mais de seis meses se pagava à empresa de aluguer”.

Segundo Joana Rosa, presidente da bancada parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD-poder), o Governo do PAICV “deixou o país sem aviões ao vendê-los antes de deixarem o Governo”.

Lembrou que a TACV foi “privatizada em 2018”, pelo que, afirmou, “só quem não tem noção de gestão pede resultados positivos de uma companhia aérea num ano”.

“Foi o Governo do MpD que devolveu os aviões, precisou Rui Semedo, reconhecendo, entretanto, que o dossiê dos TACV foi uma “questão difícil” para a governação do PAICV, “continua difícil para o MpD e, agora, a situação é muito mais difícil”.

Por sua vez, o ministro dos Transportes esclareceu que em 2016 “os aviões [Boeing e ATR] podiam estar parqueados aqui em Cabo Verde, mas já estavam comprometidos e não eram propriedade da TACV”.

Reagindo às declarações de Carlos Jorge Santos, o deputado Manuel Inocêncio Sousa (PAICV) acusou o governante de falar dos resultados provenientes da exploração da CV Airlines, mas, prossegue, “fala em prejuízos e não revela quais são estes prejuízos”.

“Não diz quais são os montantes dos prejuízos de 2019, como até hoje não conhecemos os prejuízos de exploração de 2018 e 2017”, denunciou o eleito nas listas do partido da estrela negra, apontando que o executivo de Ulisses Correia e Silva “continua a fechar a sete chaves o conhecimento da real situação da companhia”.

Na sua perspectiva, se o país continuar com hub aéreo, transportando passageiros da Europa para o Brasil, aumentando o fluxo de viajantes no Sal, mas com “enormes prejuízos”, obrigando o Estado a “injectar sistematicamente pesados recursos na companhia, isto vai dar cabo das finanças públicas do país”.

“O hub só vale para o país se for sustentável”, defendeu, acrescentando que antes da pandemia da covid-19 “a situação da TACV já era crítica”.

Manuel Inocêncio Sousa pediu ao Governo para aproveitar a oportunidade e “esclarecer os cabo-verdianos sobre o dossiê TACV”.

“Precisamos saber se o parceiro está a chantagear o Governo”, desafiou o antigo ministro dos Transportes no executivo de José Maria Neves.

Reagindo ao repto lançado, Carlos Jorge Santos admitiu que em 2016 o país vivia um “risco fiscal permanente”, o que, segundo ele, os parceiros internacionais, nomeadamente o Banco Mundial, e outros como Luxemburgo, “tinham bloqueado tudo que eram ajudas públicas, porque os TACV estavam a pôr em causa as contas públicas”.

“Lançou-se a privatização para introduzirmos a eficiência na gestão dos TACV e permitir que este seja um sector de alavanca”, indicou o governante, ajuntando que também se definiu que o hub do Sal fosse um “elemento determinante para o desenvolvimento do país”.

No dizer do ministro, em relação à plataforma aérea na ilha do aeroporto, há “resultados”, com o aumento do número de passageiros e disponibilidade de assentos e números de aviões.

Revelou que houve uma “duplicação das receitas de 33 milhões para 65 milhões de euros”, mas, também, “deu prejuízos”.

“O relatório do ultimo trimestre que foi apresentado pelo INE [Instituto Nacional de Estatística] demonstra claramente a redução do tempo de permanência do turista no quarto trimestre”, adiantou, para depois acrescentar que no ultimo trimestre de 2019 foram, na sua esmagadora maioria, “transportados pela TACV”.

Para ele, a TACV teve um “impacto substancial” no turismo e na diversificação da procura.

“Uma das empresas petrolíferas teve um aumento de 25% (por cento) na venda, relativamente a 2018”, apontou.

De acordo com o ministro do Turismo e Transportes, dados do Banco de Cabo Verde indicam que o hub do Sal teve impacto nas reservas cambiais, registando-se “um dos melhores anos em termos de reservas cambiais “.

Para Manuel Inocêncio, quem tem ganhado com o hub é a Icelandair e não Cabo Verde.

O debate prosseguiu com os sujeitos parlamentares a fazer incursão pelo presente e passado, mas o deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição), António Monteiro apelou aos colegas que centrassem no “retrato da Nação neste momento e não de há uns anos atrás”.

“Hoje, o que nos Interessa é procurar resolver os problemas das pessoas, mais do que falar do passado”, lançou o líder dos democrata cristãos, para quem a situação do país, neste momento, “é fortemente afectada pela crise [da pandemia], estando muitas famílias a viver com grandes dificuldades”.

LC/JMV

Inforpress

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