A prostituição na ilha de São Vicente é uma realidade cada vez mais constante no quotidiano da ilha e segundo avança o site Notícias do Norte, o esqueleto daquilo que seria o Bay Hotel na Av. Marginal, está a ser usado como bordel por várias prostitutas.

O aluguer de um quarto pode render muito dinheiro, os lucros podem chegar aos 50% do valor cobrado e noutros casos até mais se forem incluída outros serviços, como segurança e orientações aos clientes, revela o Notícias do Norte.

De acordo com Cicerone, uma das pessoas que exploram o espaço abandonado do Bay Hotel, afirma: 'já levei muitos estrangeiros para encontrarem as prostitutas, e isto já me rendeu muito dinheiro', confessa.

Ainda de acordo com o Notícias do Norte, o espaço abandonado do hotel é utilizado tanto pelas "meninas de vida' como por menores, que procuram no espaço uma forma de ganhar algum dinheiro para depois irem às discotecas'.

'Já encontrei menores de idade dentro do hotel, principalmente raparigas da Ilha Madeira e Monte Sossego' disse Cicerone. Por 200 ou 500 escudos é quanto um cliente pode pagar para ter sexo com uma das prostitutas no Bay Hotel, na Av. Marginal.

Cientes desta realidade os donos do referido espaço iniciaram obras de vedação ao hotel até que outra solução seja encontrada.

O 'Polvo' da prostituição no Mindelo – dos 'engates' à gravação de filmes pornográficos

Numa das suas edições, o jornal A Nação abordava esta problemática numa reportagem com o psicólogo e vereador da Câmara Municipal de São Vicente (CMSV), Augusto Neves, que afirmava que 'a nova prostituição está ligada à falta de condições para os jovens'.

'O elevado nível de desemprego, a falta de soluções para os jovens que terminam o 9º ou o 12ºanos de escolaridade podem explicar os novos caminhos que acabam por conquistar a nossa juventude', um fenómeno que tem muito a ver, também, com 'a febre de consumo excessivo, na qual a ilha do Porto Grande entrou'.

O consumismo muitas vezes está ligado à compra de roupas de marca, sapatos, perfumes, bijutarias e novas tecnologias, entre outros, que se traduzem em incentivos para que estas jovens  seguem esta vida.

Por outro lado um artigo do jornal A Semana falava em "prostituição camuflada" na ilha, no qual mostra uma nova perspectiva desta realidade em São Vicente: a gravação de filmes pornográficos envolvendo menores. Várias histórias se cruzam nestes caminhos, empresários, bancários e até estudantes, onde o consumismo frenético atira mulheres e menores para as ruas da prostituição, onde entram as drogas, o álcool e festas privadas.

«Filomena» e «Elisa», bancárias falam de casos semelhantes. 'Sete contos para participar na gravação de um filme pornográfico'. Um telefonema e uma proposta vinda de uma voz estranha com sotaque português, apresentado como membro de uma equipa televisiva que estava em S. Vicente a fazer uma pesquisa.

'Ele começou novamente por falar do tal inquérito e, tal como estava à espera, levou a conversa para o campo sexual. Fez-me uma série de perguntas íntimas, entrou em detalhes sobre a cena que já tinha em mente e, no final, perguntou-me se tinha uma filha. Respondi-lhe positivamente e pediu que levasse a miúda para participar no filme. Disse-lhe que isso seria complicado, então pediu-me que arranjasse uma moça de uns 13 ou 14 anos', disse Filomena em declarações ao jornal A Semana.

Escapadelas à noite, dormidas fora de casa sem motivo aparente são as desculpas usadas pelas adolescentes, numa tentativa de “camuflar” algo que começa a ter contornos preocupantes no seio das próprias famílias.

«Célia», menor de idade, fugiu de casa e só voltou a ser encontrada dias depois pelos familiares e pela polícia na companhia de outras ‘amigas’. Mas algo no seu comportamento tinha mudado confessou a irmã da menor.

'Quando elas me contavam as coisas que faziam, as festas que frequentavam, a liberdade que tinham de passear, frequentar discotecas e dormir onde quisessem, eu que sempre fui controlada pela família, senti ciúmes delas e resolvi também experimentar essa vida', conta a «Célia».

De acordo com João Santos, chefe da polícia em São Vicente, citado pelo jornal A Semana, 'os dados recolhidos não permitem estabelecer as causas concretas desta realidade' cada vez mais presente na sociedade mindelense. 'Apesar de negarem ser prostitutas de forma taxativa (…) a meu ver é provável que estejamos perante um caso de prostituição camuflada'.

João Santos disse ainda ao mesmo jornal que 'o pior é que apesar de estarem na idade escolar, nem querem ouvir falar da escola'.

Sejam quais forem as motivações, são cada vez mais as reportagens sobre a mais velha profissão do mundo, que ganha contornos diversos na ilha do Monte Cara.

 

SAPO CV com Notícias do Norte; A Semana e A Nação