Entretanto, também chegará uma missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), liderada pelo antigo Presidente nigeriano Goodluck Jonathan, o qual se faz acompanhar pelo presidente da CEDEAO, Jean-Claude Kassi Brou, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Niger, Kalla Ankourao.
“Receberemos com prazer este sábado a delegação da CEDEAO”, confirmou um responsável da junta militar à agência de notícias AFP.
Este sinal de abertura por parte dos militares que protagonizaram o golpe de Estado, que, garantem, querem organizar uma transição política breve, acontece numa altura em que a oposição apela a manifestações em Bamako para “festejar a vitória do povo maliano”, três dias depois destituição do Presidente Ibrahim Boubacar Keita, no poder desde 2013.
Quinta-feira à noite, os golpistas permitiram que uma equipa da ONU visitasse os políticos reféns, entre eles o Presidente derrubado e o primeiro-ministro Boubou Cissé.
“Ontem à noite, uma equipa dos Direitos Humanos da Minusma [Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali] esteve em Kati [escola militar de onde são os líderes dos golpistas], no quadro do seu mandado de protecção dos direitos humanos, e pôde avistar-se com o Presidente Ibrahim Boubacar Keita, bem como com outros reféns”, indicou no Twitter a missão da ONU.
Miltares que fizeram o golpe de Estado ainda têm 17 reféns
O Presidente derrubado, Ibrahim Boubacar Keita, anunciou a demissão na madrugada de quarta-feira, horas depois de ter sido afastado do poder num golpe liderado por militares, isto passados meses de protestos e agitação social no país. O mandato de Ibrahim Boubacar Keita prolongava-se até 2023.
A acção dos militares já foi condenada pela Organização das Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia.
Ibrahim Boubacar Keita e o seu primeiro-ministro, Boubou Cissé, foram levados para o campo militar de Kati, nos subúrbios de Bamako.
“Demos a autorização à missão dos direitos humanos da ONU no Mali para visitar os 19 reféns que se encontram em Kati, nomeadamente ao ex-Presidente Ibrahim Boubacar Keïta e o antigo primeiro-ministro Boubou Cissé”, declarou à AFP um responsável da junta.
Entre estas personalidades reféns da junta militar encontram-se ainda o ministro da Defesa e o responsável pela pasta da Segurança, o presidente da Assembleia Nacional e o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
“O antigo ministro das Finanças e o antigo ministro da Economias já se encontram em liberdade. Continuamos com 17 reféns em Kati. Esta é a prova de que respeitamos os direitos humanos”, afirmou ainda o responsável da junta militar.
Presidente destituído está “cansado mas sereno“
Para o encontro com os enviados da ONU, Ibrahim Boubacar Keita o seu primeiro-ministro tiveram de ser transferidos para uma casa perto de Bamako, a maior cidade e capital do país, onde continuam privados de televisão, rádio e telefone, segundo informações veiculadas por pessoas que assistiram à visita.
“As condições de detenção são aceitáveis”, o Presidente maliano “parecia estar cansado, mas estava sereno”, apontaram as mesmas fontes à AFP.
Os outros reféns encontram-se num centro de formação em Kati, onde “dormem em colchões e partilham uma televisão”, avançam as testemunhas ouvidas pela agência de notícias francesa.
Reabertura das fronteiras terrestres e aéreas
As fronteiras terrestres e aéreas do Mali, encerradas desde o golpe militar de terça-feira, a 18 de Agosto, foram reabertas esta sexta-feira, anunciou a junta militar que assumiu a liderança do país, através de um breve comunicado.
Os militares responsáveis pelo derrube do Presidente do Mali vão escolher “um presidente de transição”, o qual será “um militar ou um civil”, afirmou o seu porta-voz em entrevista à televisão francesa France24.
A junta militar, incluindo o vice-Presidente do Mali, Malick Diaw, deram início a uma série de reuniões com as forças do Mali.
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