Os produtores de queijo da ilha do Maio têm estado a enfrentar grandes dificuldades em conseguir satisfazer à demanda do mercado local e nacional deste produto, ao serem confrontados com uma quebra de 18 unidades para apenas 8 de produção diária.

O desabafo foi feito hoje à Inforpress por Crispina da Silva Lopes, produtora de queijo na localidade de Pilão Cão, na ilha do Maio, indicando, que esta situação deve-se à escassez de pasto para o gado com que deparam este ano.

Contudo, garantiu que se ainda estão a produzir queijo nesta altura do ano, deve-se ao facto de estarem a apostar na compra de milho para alimentarem os caprinos.

“Desde o ano passado que estamos a alimentar as cabras com milho, porque por estas bandas não choveu, mas é preciso dizer que nem todos estão a conseguir comprar milho, porque não têm trabalho e, consequentemente, não têm dinheiro para o fazerem, e por esta razão manter os animais vivos está sendo uma tarefa difícil nesta ilha”, fez saber.

De acordo com esta produtora de queijo, para além da falta de pasto estão a ainda a enfrentar também o escassez de água nos poços, onde antes davam de beber aos seus animais, pelo que sentem-se obrigados a transportarem este líquido em vasilhames até aos currais, o que tem sido mais uma tarefa muito cansativa para os criadores da localidade de Pilão Cão.

Crespina da Silva Lopes disse que graças à formação que teve a oportunidade de frequentar, realizada pela Delegação do Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR) na ilha, passou a produzir queijo de melhor qualidade, pelo que actualmente muitos lhe consideram ser a melhor produtora de queijo na ilha.

Segundo disse, por causa disso o seu queijo é muito solicitado na Cidade da Praia, mas devido à fraca produção não consegue dar resposta a toda a demanda.

Praticamente, todo o queijo que produz neste momento é consumido na ilha, embora muitas pessoas compram para enviar como presente para os seus familiares no estrangeiro, explicou.

Olívia Ribeiro Silva, outra produtora local, disse que semanalmente gasta um saco de milho para puder manter vivo o seu rebanho e com isso conseguir produzir algum queijo, porque com a falta de pasto que vem acontecendo desde há dois anos, visto que praticamente não choveu na ilha, estão a alimentar as cabras à base de milho e isso tem contribuído para a diminuição da produção de queijo.

Olívia Ribeiro Silva é de opinião que nem todos têm essa possibilidade, devido a falta de emprego, um outro problema que vem assolando a ilha há já algum tempo, pelo que neste momento a produção de queijo não está sendo rentável.

“Hoje o que vendemos é praticamente para pagar as despesas com água e milho que compramos”, frisou.

Os criadores de gado e produtores de queijo dizem contudo estar satisfeitos com a redução do preço do milho por parte do governo, mas apelam as autoridades que abram postos de trabalho na ilha, principalmente no meio rural, porque senão muitos animais vão morrer, visto que os donos não estão com condições financeiras para adquirirem milho e ração.

Inforpress

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