Em declarações à Inforpress, o coordenador político regional o PAICV na ilha do Maio, Agostinho Silva, informou que na localidade de Morrinho, estava inicialmente previsto contemplar, no âmbito do PRAA, 10 famílias na reabilitação do tecto das suas moradias, mas que destes números apenas sete agregados familiares foram beneficiados.

O líder local do maior partido da aposição na ilha do Maio assegurou as restantes três famílias ainda aguardam, desde o mês de Fevereiro, por uma resposta da autarquia maiense.

Lembrou que as obras até arrancaram nalgumas casas, com a retirada do tecto para se colocar um novo, mas os trabalhos não avançaram para além da demolição, porque posteriormente veio a se constatar que as pessoas em causa são afectas ao PAICV.

Diante disto, Agostinho Silva exige uma explicação da edilidade maiense, questionando para quando estas famílias vão ser contempladas com este projecto, como inicialmente se previa.

De acordo com o líder da oposição na ilha, estas famílias chegaram a receber, inclusive, e por várias vezes, visitas da equipa camarária criada para o efeito, por que o nome delas constava na lista inicial.

Explicou que as três famílias, supostamente discriminadas por pertenceram ao PAICV, procuraram o edil maiense, por várias vezes, na tentativa de receber do autarca alguns esclarecimentos sobre a situação, mas as primeiras três tentativas foram em vão.

“Só da quarta vez é que conseguiram uma audiência com o edil. E nós quisermos saber depois junto daquelas o que terá dito o senhor presidente, ao que nos responderam que ele, apesar de ter falado muito, não disse nada”, notou o líder partidário.

O coordenador político regional do PAICV disse ainda que uma das pessoas, inicialmente seleccionada, e depois de ter retirado o teto da sua casa, foi informada que afinal o seu nome também não constava na lista e que este indivíduo está a passar por isso “momentos desagradáveis”.

A pessoa em causa, prosseguiu Agostinho Silva, que chegou a colocar todos o seus pertences em casa de um vizinho, “está agastada” com esta situação, por ter passado toda a quarentena imposta pela covid-19 praticamente fora da sua casa, e sem electricidade, desde o mês de Fevereiro.

“Esperemos que o presidente da Câmara se reconsidere e que mande reparar imediatamente estas moradias, para evitar o sofrimento dessas famílias”, frisou, vincando que essas pessoas foram deixadas para trás “porque são afectas ao PAICV”.

Uma das pessoas que se sente “discriminada” é Jorge Garcia, que em declaração à Inforpress, confirmou que o seu nome constava da na lista inicial.

À Inforpress, explicou que desmantelou o teto da sua moradia desde o mês de Fevereiro, mas a mando da própria Câmara Municipal, cujo presidente disse ter abordado para saber do assunto, mas que até então aguarda por uma resposta que “tarda em chegar”.

“…(quando me informaram que o meu nome não constava na lista, então fui ter com o presidente da Câmara, e ele me disse que o meu não era para não ser retirado, mas já está feito, por engano, e que ele ia assumir esta responsabilidade e que mandava a vereadora para área de obras municipais averiguar a minha situação . Até então estou a aguardar, apesar do construtor ter já terminado os trabalhos na zona”, esclareceu.

Este morador contou ainda que logo que foi avisado sobre o projecto , foi o primeiro a retirar o teto de casa, esperançoso de que viria a ser reposto pela Câmara, mas afirmou que neste momento já não sabe o que fazer, uma vez que não dispõe do montante suficiente para colocar o teto de betão.

Jorge Garcia considera a situação como uma “falta de respeito”, indicando que uma outra família, que se encontrava menos aflita do que ele, e que terá pedido apoio à autarquia muito mais tarde, viu a sua situação resolvida pela edilidade.

“Passei toda esta quarentena sem electricidade, e num quarto pequeno, porque cortei a energia logo no momento em que ia iniciar os trabalhos. Agora, com o aproximar da época das chuvas, estou a pensar como resolver esta situação, como enfrentar a entrada da água por todo o lado”, sintetizou.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.